quarta-feira, 2 de março de 2016

Atendimento Clinico Psicológico

Todos os anos tenho alunos pedindo por atendimento clínico.
A maior dificuldade deles é, que sendo alunos da Psicologia não podem ser pacientes da clínica escola em que atuam por motivos éticos. O mesmo motivo os impedem de serem clientes de seus professores.
Resolvi facilitar a vida de todos; os psicólogos que precisam anunciar atendimento clinico e pacientes que procuram por psicoterapia, e montei uma lista com colegas que estão oferecendo este serviço. Priorizei que todos tivessem CRP ativo, uma vez que nos é custoso, em termos financeiros e de estudo a graduação em Psicologia, valorizando o nosso trabalho, e que cada profissional indicasse região da cidade onde o atendimento é realizado.
Muitas vezes os alunos perguntam quanto custa uma sessão de psicoterapia, felizmente o valor da sessão deve ser combinado com cada profissional. O codigo de ética profissional do Psicologo é claro em dizer que o valor do atendimento deve considerar os custos que o profissional tem, como aluguel do espaço, assim a negociação é feita particularmente. O atendimento social é uma forma de atendimento por um valor mais acessível e este valor é definido pelo profissional. Lembrando que é vedado ao profissional anunciar preço de sessão como forma de marketing.

Segue a lista:

Lista de Profissionais para atendimento Clinico Psicológico.

Nome
CRP
Telefone
Bairro/ endereço Consultório
Amably T J S Monari

 06/119161
011. 966220715
Pinheiros (metro Sumaré) e Vila Prudente (perto do metro Vila Prudente)

Bárbara Bella Urban
 06/118502
(11) 98196-5334
Butantã

Carla Rigamonti
06/104921
11. 98354.9929.
Paraíso, na Rua Sampaio Viana, 75, cjto 907.

Claudia Carolina de Souza

06/123158
011. 9 7734-4814 (tim)
 Santana, próx. ao Metrô
Daniele Andrade Santa Cruz

06/128984
(11) 99633-4171,
Tatuapé e Paraíso
Danielle Venda

06/129534
11. 98738-5460
Sta. Cruz e Santana
Deyse Cristina Lázaro

06/117707
11. 99983-9430
Osasco,Vila Yara
Elisabete Barcala.
06/120437
11.  37140561
Prox. Osasco. rua Antonio de Souza Noschese 327

Fábio Guimarães
06/127566
11 - 9.7083.6840
Vl. Mariana e Tatuapé (ao lado do metrô)

Gabriel Krahembuhl Salvador

06/95220
(11)98108-7560
Butantã
Henrique Dias Garcia

06/123061
11. 9 4991 0095
Lapa e na Vila Mariana
Jaqueline Gaspar

06/102504
11. 980435426
Rua Augusta, 2529 - Jardins
Joceli T. Rodriguez 
06/122354.
11.  37140561
Prox. Osasco. rua Antonio de Souza Noschese 327

Joice Ecilio 
06/117574
11. 96090-8516
(barra funda, Osasco e região)

Joyce Assis

06/ 97935
11.9.7227.0265
Butantã
Julia Mazon
06/62150
11. 3699-7455. Celular: 98647-8254
Avenida Caetano de Campos, 401, Bela Vista, Osasco.
Kelly Lima

06/115360
11. 97318-3399
Alphaville-Barueri e Osasco
Léa P. Arruda Oliveira

06/64279
 11. 976690245
Av. Paulista, metro paraíso
Leda Fleury

06 /1472
11. 3862 3047 e o celular 99648 9371
Pompeia.
Lúcia Dezan.
82766/06
(11) 98511-7939 (tim)
Rua Cristiano Viana, 1216, Pinheiros, a três quarteirões do Metrô Sumaré.

Marcio Pinto da Silva
6/129636
011. 23734089
Zona leste (em frente ao estação de metrô Guilhermina Esperança)

Maria de Fátima Cassapian .
06/123738
11. 9-9846-3920 (vivo) e 2281-6040
Vila Mariana (prox. est. Ana Rosa), Consolação (R. Matias Aires) e em Santana (prox. a est. Santana).

Mariana Vellani

06/ 109078
11. 9 9806 1872
São Miguel z/l
Marisa B C de Araújo.

06/108252
11. 994666494
Próximo a Av. Paulista
Marisa Stabilito

06/121582
11. 965947871
Prox. Metrô Carrão
Mayara Tavares dos Santos

06/123915
11. 96219-6009 / 95265-8168
Bairro: Alto do Mandaqui.
Michele Menegon

06/117761
11. 9 93126050
Itaquera e em Mauá
Natalia Rangel

06/92966
011 -9.9510-3333
Região do portal do morumbi. Em breve em Taboão da Serra.

Nataly Ferreira

06/120932
11 95421-1446.
Av. Mutinga, 197 sala 01. Pirituba

Patrícia de Mesquita

06/63865
11. 99890-3904
São Roque
Rafaela Penha
(recém formada – ainda não colou grau)
99600.7258 (vivo)
Faz Acompanhamento Terapêutico para Autistas e crianças com dificuldades de aprendizagem.
Raquel Marco


06/117810
11. 3675 8009/ 98581-4038.
Rua Havaí 62 - Sumaré. Prox a estação Sumaré.
Raquel Souza
06/120940
11. 987048186 (tim)
Av. Mutinga, 197. sala 01. Pirituba

Regina Alonso


06/108487
11. 5579-6469/ (11)99480-5764
Rua Vergueiro,1353 Torre Norte conjunto 1706. Metrô Paraiso

Rogério Fernando Silva
06/117703
Tel: 96097-2901
End. Av. Inocêncio Seráfico, 2109 sala 03 Segundo Andar. Vila Silviania - Carapicuíba-SP
Rosiney Paulino.

06/128096
11. 967021675
 Osasco e Santana

Sandra Silva
06/96274
11- 9.9899-5086 /sandra@capsy.com.br
VL. mariana – (ao lado do shopping metrô santa cruz)

Sandra Regina da Silva
06/120670
11. 983334956 /sandraregg@ig.com.br

Santana
Silmara Bahia

06/120739
11. 97403-3913/
954564443
Alphaville - Barueri
Simone de Cássia Freitas Manzaro

06/117702
simonemanzaro@gmail.com
bairro do jaçanã entre Tucuruvi e Guarulhos.
Sueli Rugno

06/21556-4
11. 996411446
V. Clementino - R. Dr. Bacelar, 231 cj28.
Tatiana Alves Cordaro Bichara

06/56830-0
11. 96693.0603
Vl. Mariana prox. Metro Sta Cruz
Tatiana Cintra Rodrigues
06/114918
11. 95456-4626
Em Osasco (prox. Prefeitura) e no Bairro Ana Rosa (SP)

Thalyta Padulla Gerodo


06/111986
 (11) 98668-1888
Meus consultórios ficam:
Rua José Guilherme, 76 - centro - Bragança Paulista
Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 187, cj 72 - jardim paulista - São Paulo

Valéria Meireles

06/36254
11-982337520.
rua indiana 217 -11
Brooklin  
Vanessa Cristina da Silva.
06/79463
11. 27687603 ou 975260233
Zona Oeste - Rua Arão Adler, 160 - Parque continental

Vania Castro Velloso

06/113719
11. 999150440 ou 29520271.
rua voluntários da pátria,  número 654-1 andar, cj 119
Metro Tietê.

Vania Lorena Arriagada

06/119994
011. 989326943
Bairro Santana (ao lado do metrô) e Tatuapé.


* A única pessoa que não possui CRP é a Rafaela Penha que está se graduando em Psicologia e oferece acompanhamento terapeutico pra autistas e crianças com dificuldades de aprendizagem. Este serviço pode ser realizado paralelamente ao atendimento no consultório.

Espero que a lista seja útil e que possibilite o encontro de um psicoterapeuta.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Boas novas para as disciplins de Analise do Comportamento.

Olá pessoal tudo bem? Estou sumida por estar finalizando o doutorado, mas vim contar uma novidade para vocês.
No curso de Psicologia, especialmente nas disciplinas de Psicologia Experimental, as universidades fazem uso de ratos para experimentos. O uso de ratos é comum, as universidades cumprem com todo protocolo para a ética do uso de animais em experimentos, e principalmente no curso de psicologia eles costumam ser bem tratados, apenas sofrem privação de água para responder aos experimentos de forma adequada, que ocorre uma vez por semana. Os ratos são criados em biotério, com temperatura adequada, ração, agua e cuidados veterinários. O rato é escolhido para as diversas experiências por vários fatores, uma delas é pela sua fisiologia que é bem semelhante à fisiologia dos humanos, embora tenha um tempo de vida mais curto. Muitos alunos têm questionado o uso de animais em laboratórios, e embora as universidades possuam programas alternativos que simulem a atividade dos ratos, eles não são tão atraentes para o ensino e pesquisa.
Agora vem a novidade. Os programas que estão no mercado simulam um rato numa caixa de Skinner (instrumento utilizado para o experimento na Psicologia Comportamental) e os alunos trabalham com os dados do programa. No novo programa desenvolvido pelo Professor e Psicólogo Marcos A. de Medeiros, os alunos interagem com os animais do programa, mas vai analisar os dados do seu próprio comportamento.
Veja o que o Marcos conta sobre o programa:

"Animais é um software que tem como objetivo ser um complemento às aulas teóricas de graduação em Psicologia que abordam leis básicas de Análise do Comportamento, tais como: comportamento operante, extinção, discriminação, generalização, esquema de reforço e controle por estímulos verbais.
Existem cada vez mais obstáculos para a manutenção e utilização de ratos em laboratório didático de Análise Experimental do Comportamento (AEC). Tais laboratórios vêm sendo fechados e alguns softwares foram desenvolvidos nos quais comportamentos de ratos são simulados. Dessa maneira, o aluno, estudante de psicologia, atualmente analisa o "comportamento" de uma máquina, o computador.
O comportamento de um ser vivo é complexo demais para ser simulado por um computador. Não há (ainda, e talvez nunca) essa tecnologia.
O software Animais é uma alternativa melhor, pois há um organismo se comportando: o próprio aluno.
O aluno analisa seu próprio comportamento, construindo um gráfico de frequência acumulada de respostas por segundo, nas diferentes figuras (ver seção "fotos"). Quando o assunto da aula teórica for comportamento operante, um conjunto de dados são analisados. Quando o assunto for extinção, outro conjunto de dados, e assim por diante.
Mas a proposta não é substituir o laboratório com animais, pois o rato (ou o pombo, ou outro não-humano) oferece diversas vantagens: conhecer amplamente a história do sujeito, analisar o comportamento sem o controle por estímulos verbais, entre outras. A proposta é um complemento, uma ferramenta a mais para o professor ensinar essa teoria tão bonita, encantadora: o Behaviorismo Radical."

A experiência de quase 15 anos como professor no ensino das disciplinas de Análise do Comportamento, fez com que refletisse sobre as dificuldades de se trabalhar no ensino e pesquisa desta disciplina em locais que não possuíam o laboratório. O programa Animais surgiu desta necessidade. Embora, o Psicólogo afirme que os laboratórios não devam ser extintos, especialmente no campo das pesquisas, sabemos que muitas universidades funcionam sem este recurso. Neste sentido o programa vem a somar no ensino do curso de Psicologia.

Na página do programa as faculdades podem baixar uma versão de teste.
Acesse clicando aqui: ANIMAIS.

sábado, 10 de outubro de 2015

Amor e cuidado.

Caso 1.
Em 2014, um garoto de 10 anos teve o braço dilacerado por um tigre num zoológico no Paraná. O garoto ultrapassou a linha de segurança estabelecida pelo local e brincava com o tigre, como se fosse um animal doméstico, apesar de outros visitantes terem alertado o garoto de que isto pudesse ser perigoso. A notícia teve grande repercussão, devido ao fato de as imagens do garoto brincando com o animal terem sido registrada por outros visitantes do lugar. O pai que estava junto com o garoto não viu perigo nas atitudes do filho e entendemos que foi permissivo em relação a isto. O garoto não estava sozinho.
Muitos debates surgiram no universo materno depois deste acontecimento. A polícia responsabilizou o pai pelo ocorrido e o pai defende-se dizendo que faltou segurança do lugar, no caso o zoológico. O fato é que quando a criança está acompanhada de um adulto, supõe –se que este seja responsável pelo menor de idade. E que no caso deste menino, os visitantes tirarem o menino do local inapropriado não faria qualquer diferença, uma vez que o pai estava junto e a criança respeita e obedece a ele.

Caso 2:
No nosso prédio tem um parquinho. No parquinho tem um aviso: “É proibido o uso dos brinquedos por crianças a partir dos 10 anos de idade”.  Segundo os moradores mais antigos, o condomínio construído em 1977 nunca teve seus brinquedos trocados, eles são reformados, soldados (sim, são antigos e são de ferro) e pintados a cada ano, mas não são substituídos. É possível ver a quantidade de tinta que já foi passada, é visível o desgaste, a ferrugem e é prudente obedecer a norma. Isto já deveria ser motivo suficiente para que as crianças maiores não usem, e outro fato é que o balanço, o gira-gira, trepa-trepa e a casinha não possuem tamanhos compatíveis para as crianças maiores.
Dois meses atrás meu marido desceu com as crianças para o parquinho e um garoto que, visivelmente, possui 10 anos ou mais brincava no balanço, como costuma ser nosso habito, lembramos as crianças mais velhas o limite de idade e de que os brinquedos podem quebrar. O garoto fingiu que não ouviu e meu marido insistiu na orientação. Duas semanas depois do ocorrido a mãe do garoto me aborda no elevador e passa a gritar dizendo que não temos o direito de repreender e de coagir o filho dela. Disse que apenas observamos as normas de utilização dos brinquedos e ela mal me deixou concluir a frase, esbravejou que o filho tem o direito de brincar onde quiser, que se ele quebrar algo ela paga. Que ele tem idade para sair sozinho e assim será.

Fiquei triste por perceber que as crianças estão desamparadas pelos adultos. A atitude desta mãe é perigosa no sentido de dar poder ao filho que ainda não sabe como usá-lo, ao mesmo tempo que o abandona. Se ele quebrar o brinquedo do parquinho qualquer dinheiro pagará pelo conserto, mas se ele tiver um braço arrancado não haverá dinheiro para compensar a falta de orientação.
Sei que muitos dirão que aos 10 anos o garoto já pode sair para brincar sozinho, mas o quanto o pode ser responsável por seus próprios atos? Quanto de discernimento ele tem sobre o que é perigoso?
Como psicóloga digo que muito pouco.
Desde 2007 o Conselho Federal de Psicologia tem se posicionado contra a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, por entendermos que os adolescentes são adultos em formação, embora tenham discernimento para votar, não são completamente cientes de suas responsabilidades perante a lei. O carro para um adolescente de 16 anos pode ser uma arma potencial e mesmo sendo proibido, sabemos que muitos burlam a lei e se envolvem em acidentes. Se aos 16 sabemos que os jovens não estão preparados para estas responsabilidades tenho total segurança em dizer que aos 10 anos também não estão. Os pais querem dar autonomia aos filhos, mas penso que esta autonomia deve ser vigiada.

Posso parecer protetora demais, mas amar é cuidar, é estar junto, é saber confiar e desconfiar. É saber falar não, ensinar autonomia com segurança. 
As vezes a pressa em ver o filho crescer pode ser prejudicial. 

sábado, 4 de julho de 2015

Uma ideologia perversa

Olá á todos, estou num momento muito turbulento de estudos para o doutorado e nestes estudos encontrei este texto ótimo da Marilena Chaui. Para pensarmos a violencia que vivemos atualmente: racismo, intolerancia religiosa, redução da maioridade penal... Vamos refletir sobre isso.
Boa leitura. 


P.S.: Acredito que esta publição tenha sido feita originalmente no Jornal Folha de São Paulo.

Uma ideologia perversa

Explicações para a violência impedem que a violência real se torne compreensível
(14/3/1999)
MARILENA CHAUI


Embora "ta ethé" e "mores" signifiquem o mesmo, ou seja, costumes e modos de agir de uma sociedade, entretanto, no singular "ethos" é o caráter ou temperamento individual que deve ser educado para os valores da sociedade, e "ética" é aquela parte da filosofia que se dedica à análise dos próprios valores e das condutas humanas, indagando sobre seu sentido, sua origem, seus fundamentos e finalidades. Sob essa perspectiva geral, a ética procura definir, antes de mais nada, a figura do agente ético e de suas ações e o conjunto de noções (ou valores) que balizam o campo de uma ação que se considere ética. 



O agente ético é pensado como sujeito ético, isto é, como um ser racional e consciente que sabe o que faz, como um ser livre que decide e escolhe o que faz e como um ser responsável que responde pelo que faz. A ação ética é balizada pelas idéias de bem e mal, justo e injusto, virtude e vício. 



Assim, uma ação só será ética se consciente, livre e responsável e será virtuosa se realizada em conformidade com o bom e o justo. A ação ética só é virtuosa se for livre e só o será se for autônoma, isto é, se resultar de uma decisão interior do próprio agente e não de uma pressão externa. Evidentemente, isso leva a perceber que há um conflito entre a autonomia da vontade do agente ético (a decisão emana apenas do interior do sujeito) e a heteronomia dos valores morais de sua sociedade (os valores são dados externos ao sujeito). 



Esse conflito só pode ser resolvido se o agente reconhecer os valores de sua sociedade como se tivessem sido instituídos por ele, como se ele pudesse ser o autor desses valores ou das normas morais, pois, nesse caso, ele será autônomo, agindo como se tivesse dado a si mesmo sua própria lei de ação.



Enfim, a ação só é ética se realizar a natureza racional, livre e responsável do sujeito e se este respeitar a racionalidade, liberdade e responsabilidade dos outros agentes, de sorte que a subjetividade ética é uma intersubjetividade socialmente determinada.



Sob essa perspectiva, ética e violência são opostas, uma vez que violência significa: 



1) tudo o que age usando a força para ir contra a natureza de algum ser (é desnaturar); 
2) todo ato de força contra a espontaneidade, a vontade e a liberdade de alguém (é coagir, constranger, torturar, brutalizar); 
3) todo ato de violação da natureza de alguém ou de alguma coisa valorizada positivamente por uma sociedade (é violar); 
4) todo ato de transgressão contra o que alguém ou uma sociedade define como justo e como um direito. 



Consequentemente, violência é um ato de brutalidade, sevícia e abuso físico e/ou psíquico contra alguém e caracteriza relações intersubjetivas e sociais definidas pela opressão e intimidação, pelo medo e o terror. A violência se opõe à ética porque trata seres racionais e sensíveis, dotados de linguagem e de liberdade, como se fossem coisas, isto é, irracionais, insensíveis, mudos e inertes ou passivos.



Ora, vivemos, no Brasil, uma situação paradoxal: de um lado, grita-se contra a violência e pede-se um "retorno à ética" e, de outro, são produzidas imagens e explicações para a violência tais que a violência real jamais possa se tornar visível e compreensível. 
De fato, a violência real é ocultada por vários dispositivos: 



1) Um dispositivo jurídico, que localiza a violência apenas no crime contra a propriedade e contra a vida; 
2) um dispositivo sociológico, que considera a violência um momento de anomia social, isto é, como um momento no qual grupos sociais "atrasados" ou "arcaicos" entram em contato com grupos sociais "modernos", e, "desadaptados", tornam-se violentos; 3) um dispositivo de exclusão, isto é, a distinção entre um "nós brasileiros não-violentos" e um "eles violentos", "eles" sendo todos aqueles que, "atrasados" e deserdados, empregam a força contra a propriedade e a vida de "nós brasileiros não-violentos"; e 
4) um dispositivo de distinção entre o essencial e o acidental: por essência, a sociedade brasileira não seria violenta e, portanto, a violência é apenas um acidente na superfície social sem tocar em seu fundo essencialmente não-violento -eis por que os meios de comunicação se referem à violência com as palavras "surto", "onda", "epidemia", "crise", isto é, termos que indicam algo passageiro e acidental.



Dessa maneira, as desigualdades econômicas, sociais e culturais, as exclusões econômicas, políticas e sociais, o autoritarismo que regula todas as relações sociais, a corrupção como forma de funcionamento das instituições, o racismo, o sexismo, as intolerâncias religiosa, sexual e política não são considerados formas de violência, isto é, a sociedade brasileira não é percebida como estruturalmente violenta e por isso a violência aparece como um fato esporádico superável.



Construída essa imagem da violência, espera-se vencê-la com o "retorno à etica", como se a ética não fosse uma maneira de agir e sim uma coisa que estivesse sempre pronta e disponível em algum lugar e que perdemos ou achamos periodicamente. 



Que se entende por essa ética à qual se pretenderia "retornar"? Três são seus sentidos principais: aparece, primeiro, como reforma dos costumes e restauração de valores passados e não como análise das condições presentes de uma ação ética. A ética é, aqui, tomada sob uma perspectiva conservadora (e mesmo reacionária) e incumbida de promover o retorno a um bom passado imaginário. 



A seguir, surge como multiplicidade de "éticas" (ética política, ética familiar, ética escolar, ética de cada categoria profissional, ética do futebol, ética da empresa), portanto desprovida de qualquer universalidade e entendida como competência específica de especialistas (as comissões de ética).




Aqui, confunde-se ética e organização administrativas, isto é, a ética é tomada como um código de condutas que define hierarquias, cargos e funções das quais dependem responsabilidades funcionais para o bom andamento de uma organização. Além de confundir-se com a funcionalidade administrativa, a pluralidade de éticas também exprime a forma contemporânea da alienação, isto é, de uma sociedade totalmente fragmentada e dispersa que não consegue estabelecer para si mesma nem sequer a imagem da unidade que daria sentido à sua própria dispersão.



A esses dois sentidos, acrescenta-se um terceiro no qual a ética é entendida como defesa humanitária dos direitos humanos contra a violência, isto é, tanto como comentário indignado contra a política, a ciência, a técnica, a mídia, a polícia e o Exército quanto como atendimento médico-alimentar e militar dos deserdados da terra. 



A ética, aqui, não só se confunde com a compaixão como ainda permanece cega às condições materiais da sociedade contemporânea, na qual há uma contradição surda entre o desenvolvimento tecnológico ou o trabalho morto cristalizado no capital e o trabalho vivo, de tal maneira que o desenvolvimento tecnológico torna inútil e desnecessário o trabalho vivo. Em outras palavras, pela primeira vez na história universal a economia declara que a maioria dos seres humanos é desnecessária e descartável, pois, na economia contemporânea, o trabalho não cria riqueza, os empregos não dão lucro, os desempregados são dejetos inúteis e inaproveitáveis. 



Ora, o "retorno à ética" pretende manter a idéia de que o trabalho é a condição da moralidade e da virtude, o Bem, um dever moral e sacrossanto e por isso mesmo culpabiliza os desempregados e subempregados por sua situação, não cessa de humilhá-los e ofendê-los e de considerá-los portadores da violência.



Nem por isso, entretanto, a ética tomada como compaixão pelos deserdados supera a alienação social e a violência. Em primeiro lugar, porque o sujeito ético ou o sujeito de direitos está cindido em dois: de um lado, o sujeito ético como vítima, como sofredor passivo, e, de outro lado, o sujeito ético piedoso e compassivo que identifica o sofrimento e age para afastá-lo. 



Isso significa que, na verdade, a vitimização faz com que o agir ou a ação fique concentrada nas mãos dos não-sofredores, das não-vítimas que devem trazer, de fora, a justiça para os injustiçados. 
Estes, portanto, perderam a condição de sujeitos éticos para se tornar objetos de nossa compaixão e, consequentemente, para que os não-sofredores possam ser éticos é preciso duas violências: a primeira, factual, é a existência de vítimas; a segunda, o tratamento do outro como vítima sofredora passiva e inerte. Além disso, a imagem do Mal e a da vítima são dotadas de poder midiático: são poderosas imagens de espetáculo para nossa indignação e compaixão, acalmando nossa consciência. Precisamos das imagens da violência e do Mal para nos considerarmos sujeitos éticos.



Em segundo lugar, porque, enquanto na ética é a idéia do bem, do justo e do feliz que determina a autoconstrução do sujeito ético, na ideologia ética é a imagem do mal que determina a imagem do bem, isto é, o bem torna-se simplesmente o não-mal (não ser ofendido no corpo e na alma, não ser maltratado no corpo e na alma é o bem).



O bem se reduz à mera ausência de mal ou à privação de mal, deixando de ser algo afirmativo e positivo para tornar-se puramente reativo. Eis por que o "retorno à ética" é inseparável da ideologia do consenso, uma vez que enfatiza o sofrimento individual e coletivo, as corrupções política e policial por que tais imagens conseguem obter o consenso da opinião: somos "éticos" porque todos contra o Mal. 



A contrapartida dessa ideologia é clara: não nos perguntem sobre o Bem, pois este divide as opiniões, e a "modernidade", como se sabe, é o consenso.



A ética como ideologia significa que em vez de a ação reunir os seres humanos em torno de idéias e práticas positivas de liberdade e felicidade, ela os reúne pelo consenso sobre o Mal, e essa ideologia é duplamente perversa: por um lado, procura fixar-se numa imagem do presente como se este não só fosse eterno, mas sobretudo como se fosse destino, como se existisse por si mesmo e não fosse efeito das ações humanas; em suma, reduz o presente ao instante imediato, sem memória e sem porvir. 



Por outro lado, procura mostrar que qualquer idéia positiva do bem, da felicidade e da liberdade, da justiça e da emancipação humana é o Mal. 



Em outras palavras, considera que as idéias modernas de racionalidade, sentido da história, abertura temporal do possível pela ação humana, objetividade, subjetividade teriam sido responsáveis pela infelicidade do nosso presente, cabendo tratá-las como mistificações totalitárias.



A ética como ideologia é perversa porque toma o presente como fatalidade e anula a marca essencial do sujeito ético e da ação ética, isto é, a liberdade como atividade que transcende o presente pela possibilidade do futuro como abertura do tempo humano.