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Blog sobre Psicologia, Psicologia Escolar/Educacional e aulas (textos, livros e filmes) de Psicologia.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
A Golden Key School
Para saber mais sobre a GOLDEN KEY SCHOOL. Este texto que objetiva trazer mais informações sobre a Golden Khey School ( Escola Chave Dourada) é uma adaptação da tradução do texto da Dorothy Robbins, está na integra e ilustrado com fotos e videos no site: http://faculty.ucmo.edu/drobbins/html/golden_key_schools.html
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Golden Key School: uma experiência de sucesso educacional
– o presente texto
escrito por Raquel Alves Cassoli foi resultado das anotações da palestra
proferida por Guennady Kravtsov[1] em
russo com tradução simultânea feita por seu filho, Oleg Karvtsov, para o inglês.
20/10/2012 no Centro Cultural Hiroshima promovido pelo Instituto de Psicologia
Aplicada Lev Vygotsky Brasil. O objetivo destas anotações é refletir sobre
efetividade da Teoria Histórico Cultural para a organização do ensino infantil.
Guennady relata que há 40 anos estuda a Teoria Histórico
Cultural de Vigotski e há 20 anos criaram o programa escolar Golden Key – cujo
principal propósito foi desenvolver um programa educacional escolar visando o
desenvolvimento total da criança. A base é a teoria Histórico cultural de
Vigotski.
A teoria de Vygotsky é primordial para compreender o
desenvolvimento. Falar sobre desenvolvimento nesta abordagem é difícil. Mas vou
tentar explicar. A teoria de desenvolvimento
é uma teoria de auto-desenvolvimento, é uma dinâmica e um processo
interno, o que dificulta a exploração de forma tradicional, pois não é algo que
pode ser medido.
A teoria Histórico Cultural é uma nova metodologia criada
por Vigotski que não se enquadra nas chamadas teorias clássicas (ou tradicionais)
na Psicologia, é uma teoria do futuro. Vigotski mantinha um diário, no qual
deixou registrado que priorizava uma psicologia libertária e que para isso é
importante compreender como o homem se desenvolve.
Para Marx o ser humano é social (encontramos isso nos textos
de Luria em “Desenvolvimento Cognitivo” e Vigotski em “O Estudo da história do
comportamento”)[2] e
a base teórica é construída a partir de Marx. Vigotski vai considerar o
desenvolvimento do corpo e da consciência. A consciência não é vista da forma
como a psicologia tem tratado, pois a ação é um processo controlado pela
consciência e o desenvolvimento é um processo de transformação da consciência.
A consciência social é a primeira posição sobre a consciência individual, mas
ao mesmo tempo a consciência social é a consciência individual. O
desenvolvimento das crianças se dá pela comunicação. Assim criar condições para
a comunicação é bom para o desenvolvimento infantil.
(foto da Golden Key School extraída da pagina: http://faculty.ucmo.edu/drobbins/html/golden_key_schools.html )
O programa da Golden Key é organizado da seguinte maneira:
1)
Grupo de
idades diferentes entre as crianças. O normal costuma serem crianças da
mesma idade, pois estado todas as crianças na mesma idade é mais fácil para o
adulto educador, mas não para a criança. No desenvolvimento da criança isso não
é o ideal. Uma família tradicional antigamente possuíam muitas crianças de
idades diferentes, em cerca de 6 ou 7 filhos, todos envolvidos na educação, na
vida comum, havia uma diversidade nos diálogos e nas brincadeiras. E hoje, as
famílias têm em sua maioria apenas um filho e falta para a criança essa
diversidade na comunicação. Existe uma forma de fazer isso e a escola pode
superar essa falta de diálogos diversos na vida da criança.
2)
A família.
A família é muito importante, pois é a família quem dá o principal para o
desenvolvimento da criança que é a comunicação. É a família quem protege e quem
dá afeto. A criança sente se amada, e esse amor é incondicional, pelos pais e
dá segurança a ela, para que se desenvolvam. As famílias, hoje, por seu arranjo
de um filho único e pelas atribuições do dia-a-dia não conseguem dar a
totalidade da comunicação á criança, por isso a escola precisa ser uma forma de
a criança encontrar outras crianças com idades diferentes. É preciso criar um
jardim da infância, uma pré escola como se fosse uma família, como se fosse a
convivência dessa família. A relação dos adultos deve ser como a de uma
família, todos devem estar envolvidos com os cuidados dessas crianças:
pedagogos, psicólogos, cozinheiro e os pais, que são muito importantes e devem
participar ativamente na escola. Os professores ensinam primeiro os pais e
depois as crianças.
3)
Evento.
É a organização da vida neste jardim da infância. O evento tem 2 significados:
1 – algo que aconteceu e que é expresso de alguma maneira e 2- a coexistência
tem o mesmo significado. Vou explicar: as crianças não têm aulas como nas
escolas normais, elas têm uma vida interessante e com significado. Há
ensinamentos e outras atividades interessantes para elas. A posição dos
educadores é eu se você quer ensinar as
crianças é preciso conviver com elas, é preciso estar interessado neste
convívio e no que as crianças podem oferecer. O evento pode ser de dois
tipos: o primeiro tipo de evento tem uma
programação; por exemplo comemorações e o segundo tipo acontecem por acidentes
na vida da criança; por exemplo algo que acontece na família da criança ou na
rua, e são eventos que precisam ser experimentados e compreendidos pela criança. Na atividade programada: as crianças saem
para a rua no entorno da escola para construírem um mapa do local, e de repente
uma criança pisa ou cai numa poça d’água, a criança relata isso de acordo com a
compreensão da criança e todos decidem se aquilo deve constar no mapa,
lembrando que são crianças com idades diferentes e dois adultos. É difícil um
adulto orientar a atividade de maneira correta, pois um adulto a frente das
crianças ele esta contra as crianças, ele coloca as metas do evento, controla
as ações das crianças e coloca a atividade do adulto na atividade das crianças.
4)
Os
adultos. Há 2 adultos interagindo com as crianças: o primeiro adulto está a
frente e é quem coloca as atividades para as crianças, faz propostas do evento
e o segundo adulto está no meio ou atrás
das crianças e é quem coloca as dificuldades de compreensão da tarefa que faz
com as crianças queiram ajudar esse adulto “idiota” a realizar a atividade
proposta pelo primeiro. Exemplo: o
professor (1º adulto) quer ensinar a saudação de “bom dia” – o adulto diz
“Vocês precisam falar `Bom Dia!´” – mas para ter efeito ele começa demonstrando
como fazer e o 2º adulto cria uma situação, uma cena especial para as crianças.
Como se o 1º adulto fosse o pai e o 2º. Fosse o filho e sempre há uma emoção
criada nesta cena e as crianças são envolvidas nesta cena. Elas devem sempre
estar dentro da situação para que surta o efeito da aprendizagem.
5)
O
conhecimento do desenvolvimento infantil. Normalmente quando lidamos com as
teorias de desenvolvimento infantil acabamos lidando com as idades e etapas do
desenvolvimento e fazemos comparações com as crianças e há 2 características
que se diferenciam:
a.
A
dimensão de espaços diferentes do desenvolvimento: nós temos 4 características que centrais para
estudar o desenvolvimento infantil.
Vigotski criticava as teorias
clássicas da Psicologia, Freud deu ênfase ao desenvolvimento psicossexual, a
sexualidade para Freud era muito importante, mas o desenvolvimento não é só
isso. Piaget enfatizou o desenvolvimento das estruturas intelectuais. Para
Vigotski o intelecto está na segunda posição, não é o fator central de sua
teoria, embora seja também muito importante. Sempre há um critério para o
desenvolvimento. Elkonin fala de períodos de desenvolvimento do ponto de vista
da atividade, se pensarmos no adolescente, qual é sua principal atividade e
esta atividade é bem diferente da atividade da criança. Para Vigotski: existem
2 questões importantes, a primeira é que existem diversas características do
desenvolvimento e a segunda questão se refere ao problema metodológico sobre a
composição da crianças e considerar as características que ela tem. Elkonin
compartilha da teria da atividade, que é muito comum na Rússia e baseando em
Vigotski é a partir da vida real que a criança se desenvolve.
A formação central do psiquismo
altera toda estrutura já existente e são muitas as transformações nesta idade
da criança. Exemplo: a fala. Quando a criança começa falar muda sua
personalidade e sua consciência. Descobre o espaço físico e o significado das
coisas a sua volta. A aquisição da fala muda toda sua função psíquica, seu andar
amplia toda forma de interação com o lugar onde vive, aumentando sua capacidade
de interagir. De 3 á 7 anos a criança forma sua imaginação á partir da fala e
evolui seu pensamento, seus sonhos e suas fantasias. Essas funções são
controladas pela vontade da criança. As funções psíquicas superiores vão se
alterando conforme a vontade de interagir como meio, pois a vontade e a
liberdade.
Vigotski diferencia as funções
psíquicas/nervosas em elementares e
superiores; e a principal característica dessas funções é que elas evoluem do
natural para o cultural e apesar de terem essa nomenclatura não se excluem ,
mas compõem uma a outra. A fala tem uma natureza genética, que é aquilo que o
organismo dispõe para seu desenvolvimento que só é possível diante do desenvolvimento
social. A imaginação é uma estrutura mais complexa que tem um campo de
sentimento e imagem. As imagens estão no espaço real e tem varias dimensões
como a objetiva (materialidade) e a subjetiva como: sentido, significado e
sentimento.
Existem diferenças na imaginação
entre meninos e meninas. Nos meninos a imagem é mais dimensionada, nas meninas
ela é mais sentimental, talvez por isso brinquem ou joguem de maneira
diferente. Os meninos preferem jogos de construção e as meninas de comunicação
e isto está em pesquisa pelo grupo lá na Rússia.
Desta forma a Golden Key School
foca nas atividades planejadas e nas brincadeiras para o desenvolvimento da
imaginação. As atividades são planejadas tendo em vista um produto determinado
e o desenvolvimento da criança de acordo com essas características da criança
b) A função psicológica central no desenvolvimento: a atividade
líder é o que predomina no dia-a dia das crianças, no caso de crianças de 3 á 7
anos é a brincadeira e a função psicológica central é EMOÇÃO e é onde há as
maiores mudanças nesta idade. Para trabalhar com crianças nesta faixa etária é
necessário trabalhar com conteúdos emotivos. A emoção começa como natural na
criança, o recém-nascido reage instintivamente de forma emocional e o trabalho
do professor ou do adulto que lida com a criança é em cima das emoções. A emoção
influencia a fala e por ela também é afetada e se transformam em sentimentos. A
Emoção é uma Função nervosa/psicológica superior. Aos 7 surge uma crise nessas
emoções que se desenvolvem, criam uma nova estrutura intelectual. A Emoção
envolve o intelecto pela imaginação, transforma se numa função intelectual.
Isto não foi aprofundado por Vigotski
por não haver um completo entendimento das direções de transformação das
funções nervosas/psicológicas superiores. Existe um problema teórico sobre o
surgimento das Funções psicológicas superiores: Como a criança não fala e
torna-se capaz de falar? De onde vem esta força da Função nervosa/psicológica
superior? Vigotski responde que quando
podemos compreender o valor do ambiente somado ao social, temos uma explicação
social do desenvolvimento e temos o foco para que as transformações aconteçam.
No caso da criança que aprende a falar, toda situação social dela muda, o
ambiente continua o mesmo, mas o valor social dela é modificado. O Status que a
criança adquire muda a situação social que a preparava para a mudança de
status.
E por ultimo a noção de atividade
principal no desenvolvimento é importante para compreender que essas atividades
apenas deixam de ser frequente, mas não deixam de ser realizadas. A brincadeira
não apenas não acaba na idade adulta como também auxilia no desenvolvimento na
idade adulta, pois na atividade de brincar está o futuro do desenvolvimento. A criança
faz o que pode, e não apenas o que consegue, ela esgota toda a potencia que
existe para ela.
Daí a grande importância da
brincadeira nas atividades desenvolvidas na Golden Key School e o sucesso deste programa educacional.
[1] Guennady
é marido de Elena Kravtsov, que é neta de Vigotski, sendo filha de Guita
Vigotskaia (Guita faleceu em 2010, e atualmente, Elena é quem cuida do material
produzido pelo avô. Junto com marido e filho mantém uma escola na Rússia
(Golden Key School) cujo programa de ensino é baseado na teoria Histórico
Cultural)
[2]
Observação da autora
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Educar sem violencia
Resenha.
O livro "Educar sem violência: criando filhos sem palmadas" da Lígia Moreiras Sena (Cientista que virou mãe) e da Andréia C. K. Mortensen (Crescer sem violência) é um daqueles livros que deveriam ter entrega gratuita nas maternidades. O livro possui 112 paginas, ondem as autoras escrevem de forma clara e objetiva sobre os efeitos da violência física e psicológica contra a criança e juntamente com conceitos da Psicologia e da Programação Neurolinguística propõe uma nova forma de se relacionar com os filhos e estabelecer vínculos saudáveis.
"Bater em criança é aceitável?
O que está por trás do ato de dar uma palmada?
O que isso diz sobre a criação de quem bate?
O que é ensinado as crianças quando se usa violência física contra elas?
Porque alguns pais ainda batem em seus filhos?"
Essas são algumas das perguntas que as autoras fazem na apresentação do livro e ao responder essas e outras perguntas conduzem o leitor ao conhecimento cientifico e a reflexão sobre os valores sociais e a cultura da palmada em que vivemos. O entendimento da origem do comportamento de birra, auxilia a lidar com as criança em momentos de crise. O capítulo sobre violência emocional e resiliência mostra como as ameaças, que muitas vezes parecem inofensivas a crianças e ponto central da manutenção da autoridade dos pais, revela o lado cruel do estabelecimento de um vinculo que tem suas raízes no medo. Efetivar uma educação sem palmada é desafiador, exige paciência dos pais, e muito auto controle, mas apresenta-se de forma possível com esta leitura para profissionais e leigos.
Raquel Cassoli
O livro "Educar sem violência: criando filhos sem palmadas" da Lígia Moreiras Sena (Cientista que virou mãe) e da Andréia C. K. Mortensen (Crescer sem violência) é um daqueles livros que deveriam ter entrega gratuita nas maternidades. O livro possui 112 paginas, ondem as autoras escrevem de forma clara e objetiva sobre os efeitos da violência física e psicológica contra a criança e juntamente com conceitos da Psicologia e da Programação Neurolinguística propõe uma nova forma de se relacionar com os filhos e estabelecer vínculos saudáveis.
"Bater em criança é aceitável?
O que está por trás do ato de dar uma palmada?
O que isso diz sobre a criação de quem bate?
O que é ensinado as crianças quando se usa violência física contra elas?
Porque alguns pais ainda batem em seus filhos?"
Essas são algumas das perguntas que as autoras fazem na apresentação do livro e ao responder essas e outras perguntas conduzem o leitor ao conhecimento cientifico e a reflexão sobre os valores sociais e a cultura da palmada em que vivemos. O entendimento da origem do comportamento de birra, auxilia a lidar com as criança em momentos de crise. O capítulo sobre violência emocional e resiliência mostra como as ameaças, que muitas vezes parecem inofensivas a crianças e ponto central da manutenção da autoridade dos pais, revela o lado cruel do estabelecimento de um vinculo que tem suas raízes no medo. Efetivar uma educação sem palmada é desafiador, exige paciência dos pais, e muito auto controle, mas apresenta-se de forma possível com esta leitura para profissionais e leigos.
Raquel Cassoli
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
VII Jornada de Psicologia Sócio-Histórica da PUC-SP
VII Jornada de Psicologia Sócio-Histórica da PUC-SP
“A Psicologia no Contexto Latino-Americano:contribuições para uma perspectiva crítica”
Inscrições para apresentação de trabalhos até dia 08/09 pelo site: http://www.pucsp.br/pos-graduacao/vii-jornada-de-psicologia-socio-historica-da-puc-sp
Evento gratuito e de responsabilidade de seus organizadores.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
"Doente ainda tem medo de doutor"
Um dos assuntos mais frequentes em Psicologia tem sido a humanização dos serviços de saúde, esta entrevista de 2006 se mostra atual ao mostrar os desencontros na área médica. Problemas que a Psicologia pode auxiliar na solução e melhorar as relações entre profissionais e profissionais e pacientes.
REVISTA Isto é Entrevista 13-09-2006
Cláudio Cohen "Doente ainda tem medo de
doutor"
Psiquiatra
diz que o médico continua a conversar pouco com o paciente e que os
profissionais mais jovens preferem a tecnologia a cuidar das pessoas
Por Cilene Pereira
O psiquiatra e
psicanalista Cláudio Cohen, 52 anos, é um dos principais especialistas em
bioética do País. Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo, ele está acostumado a acompanhar e a pesquisar as mudanças de conceitos
e verdades que, de tempos em tempos, são feitas na comunidade científica e na
sociedade a partir de novas descobertas. Discussões sobre quando começa e
quando termina a vida, por exemplo, fazem parte de seu dia-a-dia. Há quatro
meses, no entanto, ele se debruça sobre uma questão bem mais específica,
voltada para a compreensão de sua própria atividade profissional. Em conjunto
com seus colegas Eduardo Massad e Linamara Battistella, também professores,
Cohen coordenou uma pesquisa entre seus pares e outros profissionais de saúde
para tentar compreender como eles próprios entendiam a profissão, o paciente e
o ambiente no qual trabalham. Eles chegaram a conclusões surpreendentes.
Algumas delas: a tecnologia hoje atrai muito mais os jovens estudantes de
medicina do que a vocação em si, o doente ainda tem muito medo de falar com o
médico e os profissionais não conversam entre si. “É a primeira vez que fazemos
um trabalho deste gênero. Percebia que essa situação existia, mas ninguém dava
muita atenção a esses problemas. Então resolvemos falar disso de outra
maneira”, conta. Para obter essas conclusões, foram realizadas entrevistas em
profundidade com médicos, professores e diretores de hospitais, além de
discussões em grupo com recém-formados, residentes, estudantes no final do curso
de medicina e outros profissionais de saúde dos níveis superior e médio. A
partir dos achados, o professor espera iniciar uma ampla reflexão entre
médicos, faculdades e instituições de saúde para tentar acabar com os gargalos
que, no fim, prejudicam os profissionais e – o que é mais perigoso – também os
pacientes.
ISTOÉ – A partir da pesquisa, ficou claro que os
estudantes e médicos mais novos entram na carreira seduzidos pela tecnologia e
não pela vocação?
Cláudio Cohen – Sim.
Mais do que a vocação humanista, o que os atrai é a vocação tecnológica. Em
geral, as pessoas estão querendo saber mais de pesquisa. E hoje os jovens
médicos se interessam muito mais em fazer pesquisa científica do que em tratar
pacientes.
ISTOÉ – Isso ocorre em todas as especialidades?
Cohen – Há uma
contradição interessante detectada no estudo. Os médicos acham que deveria
haver mais clínicos gerais, que eles teriam de manter uma relação mais
humanista com o paciente. Mas notamos que, no fundo, o próprio médico acha que
o clínico geral é um subproduto da medicina. Eles pensam que, se ele é clínico,
é porque não era muito bom em
nada. Hoje , o grande médico é
o hiperespecializado. Então, aquilo que o médico considera como o ideal da
profissão na verdade ele próprio não valoriza. E nem a sociedade. As pessoas não
procuram o clínico. É preciso entender que ele é um especialista na sua área
e que se deve começar por ele.
ISTOÉ – O que foi constatado sobre a relação entre
médico e paciente hoje?
Cohen – O
paciente tem medo de dizer as coisas. Acaba contando eventuais problemas para a
enfermeira – e ela não repassa as informações ao médico.
ISTOÉ – Quem revelou isso?
Cohen – Os
enfermeiros, os residentes.
ISTOÉ – Por que ela não conta ao médico o que o
paciente está dizendo?
Cohen – Esse é
um dos grandes problemas da medicina atual, a chamada interdisciplinaridade.
Essa palavra traduz a idéia de que a saúde é a soma do trabalho de vários
profissionais, e não fruto do domínio e das ações exclusivas do médico. Isso
foi estabelecido pela Organização Mundial da Saúde em 1960. Até então, o
conceito de saúde era a ausência de doença. Se esse era o modelo – e quem
cuidava de doença era o médico –, quem cuidava da saúde era o médico. A partir
de 1960, a
saúde passou a ser um bem-estar biológico, psicológico e social, isto é, não
apenas a ausência de doença. Com isso, o médico virou mais um dos, e não o profissional responsável pela saúde. É o
relacionamento entre as disciplinas, a tal da interdisciplinaridade.
ISTOÉ – Mas não há risco de ocorrerem problemas
justamente por falta de comunicação?
Cohen – Sim,
mas a novidade é que hoje não são apenas os médicos que estão sendo
processados. Enfermeiros e hospitais também. Está se vendo que não é só o
médico o responsável.
ISTOÉ – Por que o doente tem medo de se abrir com o
médico?
Cohen –
Baseado na minha experiência, observo que ele ainda tem uma imagem meio mítica
do médico. As pessoas o consideram uma pessoa para a qual só se deve falar as
coisas importantes.
ISTOÉ – E que tipo de informação ele deixa de passar?
Só problemas, complicações, queixas de dor?
Cohen – Não é
só isso. Ele também tem medo de perguntar o efeito colateral do remédio ou de
dizer que não gostaria de tomar um medicamento. Ainda sobrevive a relação
paternalista na qual o médico sabe tudo e o doente não sabe nada. Então, as
pessoas acatam tudo o que o profissional fala. A relação ideal deveria ser
baseada em uma autonomia dos dois, para que eles discutam. E o médico vai
tentar mostrar ao doente por que uma conduta é melhor do que a outra.
"A relação
deveria ser baseada na autonomia. O paciente deve deixar de ser passivo. O que está
em jogo é a saúde dele"
"O médico
acha que falar com a família é mais difícil do que com o doente. Ela pergunta o
que o paciente não questiona"
ISTOÉ – E que conseqüência tem isso para
o paciente?
Cohen – Pode haver equívocos. O doente pode ficar com medo de
ingerir o remédio, não tomá-lo ou usá-lo na dose errada. Além disso, tem medo de contar que usa terapias complementares.
lado, pela obrigação de atender tantos pacientes, o médico não tem tanto tempo para ficar respondendo. É mais ou menos como quando vamos ao banco e queremos investir nosso dinheiro. O gerente nos diz para investir nisso ou naquilo. E não questionamos se ele não acha que outra coisa seria melhor.
ISTOÉ – Mas há uma responsabilidade do médico nisso, não?
Muitos se queixam de que ele, de maneira geral, não suporta ser questionado ou
mesmo discutir uma dúvida do paciente...
Cohen – Nas
gerações mais jovens isso está mudando, mas entre os antigos esta postura
prevalece. Por outro
ISTOÉ – O sr. acha que o paciente deve sair dessa
situação passiva?
Cohen – Não
acho, tenho certeza. Ele precisa sair, ser ativo como o médico. Afinal, o que
está em jogo é a saúde dele. É o interesse dele próprio. E às vezes ele teme
não ser mais atendido por reivindicar seus direitos.
ISTOÉ – Este é um comportamento mais comum entre os
pobres, que dependem dos serviços públicos e temem perder a única chance de
atendimento, ou também existe entre os mais ricos?
Cohen – É um
problema cultural, independe das classes. E é um fenômeno brasileiro. Temos
pouca noção dos nossos direitos e deveres. Somos um pouco submissos, inclusive
como pacientes.
ISTOÉ – Outra descoberta da pesquisa foi a de que o
médico prefere falar com o paciente a conversar com os familiares. Por quê?
Cohen – O
médico tem dificuldade de falar com os familiares do doente. Acha que eles são
mais difíceis do que o doente. A família acaba fazendo aquelas perguntas que o
paciente não faz.
ISTOÉ – Então, mais uma vez, parente é serpente?
Cohen – Sim.
ISTOÉ – Mas os médicos se queixam disso?
Cohen – Dizem
que preferem falar com o paciente. E que o melhor seria outro profissional
lidar com a família. A psicóloga, a assistente social, dependendo do problema
que possa estar associado.
ISTOÉ – Mas de novo voltamos à questão. Ele se
incomoda com os familiares, mas, se o paciente se queixa, ele fica incomodado...
ISTOÉ – Mas o sr. não acha que ele tem obrigação de
falar com a família?
Cohen – Sim,
mas isso é um passo maior, adiante. Primeiro vamos fazê-lo falar com o doente e
ensinar o paciente a aprender a decidir por si mesmo.
ISTOÉ – Os médicos sabem que perderam parte do status
social?
Cohen – Os mais
antigos não perderam o status. Ainda conseguem ter consultório particular, ganhar
bem. Os mais jovens é que perceberão isso de forma mais intensa. Provavelmente
não terão consultório particular, trabalharão para uma instituição pública ou
para um seguro médico, em que a relação médico-paciente estará influenciada por
um terceiro. E isso é uma perda de status. Sua
autonomia vai para o espaço.
ISTOÉ – E que prejuízo essa perda de autonomia traz
para o paciente?
Cohen – Quando
ele precisa trabalhar em três, quatro empregos, ele já perdeu autonomia. Já
está a serviço dos empregos. E isso vai se refletir na qualidade do
atendimento. As vítimas serão o paciente e ele próprio. Mas o profissional
ainda não percebeu que também está perdendo. Se tem de trabalhar dessa forma,
provavelmente atende muito mais pacientes do que poderia, provavelmente não se
atualiza o quanto deveria. Porém, ele ainda acha que é um problema da sociedade
e que ela o resolverá. Mas o médico é que terá de dar um basta nisso.
ISTOÉ – O sr. acha que os médicos não perceberam que
cabe a eles iniciar essa mudança?
Cohen – Cabe a
eles também se responsabilizar por isso. A sociedade os culpa pelo mau
atendimento. Eles podem até ter parte nisso porque acabam aceitando, porém é o
Estado que paga mal, não dá estrutura de trabalho. Há outras responsabilidades.
A questão é começar a dividi-las. Estamos olhando para os médicos e dizendo:
vocês têm de repensar sua vida.
ISTOÉ – Eles têm de discutir essa situação?
Cohen – Sim.
Realizar uma reflexão em
conjunto. Como não têm tempo de atender o paciente, eles
pedem mais exames para ter mais segurança. Isso quebra muito a relação com o
doente. Outra coisa: eles sabem que a alocação de recursos para a saúde é muito
malfeita. Mas não se questionam sobre essas questões.
ISTOÉ – Eles também são passivos?
Cohen – Eles
ainda não perceberam a mudança social da função do médico. E também não se
imaginam fazendo outra coisa. Isso talvez os assuste e os impeça de exigir
mais. Se eu perder isso, o que vou fazer?, podem indagar. Não entendem que
essas questões deveriam ser discutidas e revistas com abordagens éticas, com
posturas, trocas de valores. No trabalho que fizemos, os médicos disseram
gostar da profissão, mas percebemos que entre o gostar e a realidade não há coerência.
Basta olhar quantas horas eles trabalham, quantos empregos têm. Se gostassem da
profissão como dizem, não a estariam exercendo tão mal.
ISTOÉ – O que esperar do médico no futuro? Ele será
mais voltado para a máquina do que para o homem?
Cohen – Sim, mas o médico tem de aprender a lidar com essa questão.
ISTOÉ – O sr. fala de um modelo implantado na melhor
faculdade de medicina do País. Mas e no resto?
Cohen - Fico angustiado com tudo isso. Afinal, sou um velho médico. Entrei por uma questão humanista. Considerava este trabalho uma vocação. Acho que, para ajudar a resgatar a missão do médico e lembrá-lo da finalidade básica da medicina, o da assistência ao doente, é preciso haver mais discussão sobre o assunto. Foi o que fizemos aqui na faculdade. Temos disciplinas com conteúdo humanista, psicologia médica, o médico como cidadão, por exemplo.
Cohen – Vamos
discutir com todos e trocar idéias sobre esse tema.
Para saber mais:
DE MARCO. M. A (orgs) A face humana da medicina. Casa do Psicologo; São Paulo, 2003.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Em que área atua o Psicologo?
Neste Post pretendo abordar um pouco sobre a area de atuação do Psicologo. Quando escrevi sobre a clinica, a atenção não é aleatória, nos estudo feitos pelo CRP e CREPOP apontam que a maioria dos formandos seguem a clinica particular. Este texto é resumo de um capitulo em que mostra a á inserção do
psicólogo no mercado de trabalho, nos setores de atuação, atividade e condições
de trabalho.
O setor público e o privado apresentam-se como potenciais
para inserção no mercado de trabalho.
No inicio do sec. 21 alguns movimentos merecem atenção: crise e a falência do Estado deixou lacunas
na saúde, educação e segurança que passaram a depender da iniciativa privada
para se desenvolver. A concentração de capitais e a globalização que
fortaleceram o serviço privado e o surgimento e o fortalecimento do terceiro
setor, que passa atender a demanda que antes era do serviço público, mudam a
atuação profissional do Psicólogo no país.
1º.setor - PUBLICO: deve atender as necessidades da população com
políticas públicas, agentes públicos que agem para o público.
Serviço pode ser próprio
quando visa atender as demandas da sociedade de maneira coletiva.
Serviço pode ser impróprio quando atende os interesses da
coletividade, o Estado não assume a responsabilidade, mas delega ao setor
privado, o fiscaliza e controla.
Emprega atualmente: 24,4% dos psicólogos
2º. Setor – PRIVADO:
representa a lógica de mercado e defende
os interesses privados. É o maior setor nos países capitalistas. Visam lucro.
Com a globalização e a competitividade, as empresas apresentam os mais diversos
tipos de gestão e o trabalhador muitas vezes é obrigado a abrir mão de seus
direitos trabalhistas para ser inserido no mercado de trabalho. Aos poucos a
informalidade no Brasil supera o emprego formal.
Emprega atualmente: 40,3% dos psicólogos
3º.setor – espaço
institucional de caráter privado e que atende demandas públicas, não visam
lucro, possuem alto grau de autonomia interna e envolvem um nível significativo
de participação voluntaria. São ONG
(organização não governamental), OSCIP (Organização da Sociedade Civil de
Interesse Público), Fundações, associações civis, entidades assistenciais e
filantrópicas, organização de voluntários, cooperativas, etc.
Emprega atualmente:
35,3% dos psicólogos
Temos uma inserção profissional diversificada.
Apenas 17, 6 % dos psicólogos ocupam apenas uma inserção de
trabalho e atuam como autônomos.
52,7% dos psicólogos
possuem mais de uma inserção no mercado de trabalho, isso pode significar que:
é preciso trabalhar em mais de um lugar para garantir sua sobrevivência
(salários baixos); que as condições de trabalho são frágeis; e que o trabalho
autônomo, principalmente na clinica, está relacionado à identidade profissional.
Mesmo tendo um trabalho assalariado que garanta uma sobrevivência satisfatória,
muitos atuam como clínicos porque lhes confere uma identidade profissional.
No terceiro setor, há uma baixa quantidade de pessoas com
apenas uma inserção, pois o vinculo é voluntário. Trabalhar sem remuneração é
uma forma de o psicólogo adquirir uma maior experiência, que será um
diferencial na obtenção de um emprego remunerado.
PERFIL DE QUEM ATUA.
81% mulheres / idade: 35 anos / tempo médio de 10 anos de formação.
Média de 40% graduados, 35% com especialização, 14% com
mestrado e 5% com doutorado ( No terceiro setor a média de graduados é maior e
no setor privado há uma média maior de pessoas com mestrado 21%). Isto sugere que no terceiro setor há pouca
exigência com pós- graduação. Já nos setores públicos e privados, que há
contratação de docentes para o curso de psicologia há uma exigência maior de
profissionais que tenham feito pós-graduação.
Formas de ingresso:
Quanto a Natureza do vínculo:
No setor publico: 59,8% são estatuários e 26,5% regime de
CLT.
No setor privado predomina a contratação de autônomos/
consultores (32,7%) em seguida o vinculo celetista. (CLT )(24,2%) à
no setor privado 27,5% são contratados como docentes, bem acima dos 14,5% de
docentes que são contratados no setor público.
80% dos psicólogos são graduados no ensino superior privado.
CONDIÇÕES DE TRABALHO:
1º setor: 23,6% até 20hs de trabalho semanais
30,7% até 30 hs de trabalho semanais
34,7% até 40 hs de trabalho semanais
8,2% dedicação exclusiva.
Média salarial de 2.800,00 reais (psicólogos que atuam na
saúde pública tem salários mais baixos)
2º. Setor: 45,6%
até 20hs de trabalho semanais
17,17% até 30 hs de trabalho semanais
37,37% até 40 hs de trabalho semanais
Média salarial de 3.100,00 reais.
3º. Setor: 72,7%
até 20hs de trabalho semanais
9,9% até 30 hs de trabalho semanais.
17,4% até 40 hs de trabalho semanais
Média Salarial de 2.400,00 (lembrando que boa parte são
voluntários)
No geral os Psicólogos se manifestam bastante contentes com
o trabalho e vislumbram oportunidades de crescimento, principalmente no setor
privado e 3º. Setor.
Estas informações mostram que a vida profissional, embora muito valorizada ultimamente, na area de RH, ainda precisa superar obstaculos.
terça-feira, 1 de abril de 2014
O que acontece depois que acaba o curso de Psicologia? p.2
Parte 2 e final.
Na postagem anterior falei sobre os caminhos para a prática
clinica, mas a atividade do psicólogo, embora esteja muito ligada a área
clinica não se resume a isto. No mercado de trabalho a forma mais “tradicional”
de busca de uma colocação acontece com a entrega de currículo vitae nas
empresas, provas para concursos públicos e se candidatar ás vagas existentes no
mercado. Quando o profissional deseja
construir sua profissão de forma autônoma, ele pode fazê-la nas diversas áreas
de atuação da psicologia, na forma de consultoria e trabalhar com projetos,
seja com uma empresa privada, própria ou para o 3º setor. E aí vem a pergunta importante: “ Como fazer
isso?”
Vamos dar uma situação hipotética de um contato com um
diretor de escola particular, ele diga que gostaria de ter um psicólogo que
trabalhasse algumas questões dentro da escola. Estou dando um exemplo de diretor escolar, mas
pode ser o profissional de qualquer outra instituição, pode ser o dono de um
escritório de contabilidade que não consegue contratar funcionários certos para
as vagas de seu escritório e deseja alguém que consiga redefinir o plano de
carreira e traçar perfis adequados aos cargos de seu escritório. OU ainda uma
ONG que tem um trabalho em uma comunidade carente e necessita de um trabalho do
psicólogo. O Psicologo pode marcar uma reunião formal com este diretor para o
levantamento das necessidades da escola, é necessário fazer uma caracterização
desta escola e refletir previamente sobre o que deseja este diretor. Vamos
supor que os alunos estejam reclamando do conflitos existentes entre eles e que
queiram da direção uma solução contra o bullying, por exemplo, temos aí uma
demanda para a Psicologia intervir.
“Preciso fazer anotações sobre este
encontro?” Sim, é recomendável que faça
anotações sobre este encontro, como um relatório, para que este auxilie no
momento de escrita do projeto. Anote ideias que surgirem durante o encontro,
autores e estabeleça um prazo para retornar a escola e apresentar uma proposta
de trabalho.
O Psicologo com os dados em mãos deve escrever um projeto
com capa, uma justificativa para a realização daquele trabalho, com
bibliografia, descrição da intervenção, cronograma de trabalho descrevendo as
atividades, materiais a serem usados, contrato e preço. A escola pode oferecer
um contrato redigido por ela. E desta relação também pode surgir um emprego
como psicólogo escolar.
“Posso ter um projeto padrão para levar nas escolas que
quero trabalhar?” Você pode oferecer um serviço padronizado à várias escolas (empresas
ou ONGs) e as instituições podem querer ou não o seu serviço. Mas quando você é
solicitado por alguém, seja uma empresa para consultoria de RH ou uma escola,
deve primeiramente caracterizar a demanda, ou seja, ouvir o que eles desejam
para depois oferecer uma solução.
“Qual é o modelo deste projeto?” Geralmente é o mesmo modelo
que ensinamos os alunos nas aulas de estágios profissionalizantes. Mais uma
vez, os relatórios e o projeto realizado durante os estágios não são mera
produção burocrática, eles nos auxiliam na prática profissional.
Lembrando, mais uma vez que o profissional autônomo emite recibos e que estes recibos devem ser declarados no Imposto de Renda, a empresa ou escola pode fornecer uma declaração de pagamento e qualquer que seja o caso o profissional e a empresa devem ser coerentes.
Caso o psicologo tenha interesse em abrir uma empresa de assessoria ou consultoria deve consultar um Contador para estar em dia com os tributos. Uma outra opção é montar ou fazer parte de uma cooperativa.
Na próxima semana vou falar sobre como está a inserção do Psicologo no
mercado de trabalho.
Raquel Alves Cassoli
Psicologa, Mestre e Doutoranda em Educação.
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