sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A Golden Key School

Para saber mais sobre a GOLDEN KEY SCHOOL. Este texto que objetiva trazer mais informações sobre a Golden Khey School ( Escola Chave Dourada) é uma adaptação da tradução do texto da Dorothy Robbins, está na integra e ilustrado com fotos e videos no site:  http://faculty.ucmo.edu/drobbins/html/golden_key_schools.html


"Durante Perestroica, na Rússia, novos programas educacionais inovadores surgiram. A neta de LS Vygotsky (Dr. Elena Kravtsova), e seu laboratório de 23 pessoas estabeleceram um desses novos programas. 
O objetivo do currículo do programa Chave Dourada é tirar as crianças da alienação tradicional encontrada em muitas escolas e em muitas famílias da Rússia pós-soviética. Utilizando os princípios teóricos e metodológicos de  LS Vygotsky, Elena e Gennadi Kravtsov, abriram mais de 30 escolas  Chaves Douradas  ao redor da Rússia desde 1989, e há planos para expandir este currículo aos níveis mais elevados do ensino, (ainda trabalham com educação infantil e alfabetização) incluindo a coordenação de uma clínica hospitalar.A inclusão de atenção médica não só irá envolver as crianças com doenças físicas, mas também as crianças com dificuldades de aprendizagem e problemas familiares.
Os Métodos que são usados,  partem da compreensão global do processo de interação e é executado dentro da Zona de Desenvolvimento Proximal , colocando a organização das crianças como se elas estivem em famílias em vez de classes. Portanto, cada família tem entre 15 a 25 crianças com idades entre 3 e 10 anos e há uma sensação de uma família extensa, tendo sua própria "casa" em vez de uma sala de aula. Professores precisam frequentar uma formação especifica para o serviço, a fim de aprender a melhorar uma comunidade de aprendizagem, e os pais são ativos em eventos da escola, muitas vezes participando como figuras históricas, ou ajudando a costurar fantasias, ou cantar ou recitar poesia. As crianças se reúnem em suas famílias todos os dias da escola para discutir os problemas e aprender a resolver problemas. Uma vez que existem crianças de diferentes idades, as crianças mais velhas podem ser um modelo de comportamento para os mais novos e devem apoiar as crianças mais novas. Os acontecimentos são eventos que compõem de o conceito central das escolas chaves douradas. Estes acontecimentos são baseados em torno de eventos históricos, estações do ano, e eventos pessoais. Há eventos semanais e mensais.
Um exemplo que podemos ter deste acontecimento é relatado na escola em Belaya Kalytva (nos arredores de Moscou) e estava relacionada ao estudo do mundo, e, neste caso, na Austrália. Um dia, quando todos estavam reunidos em suas famílias , uma mulher vestida em um traje tradicional do russo veio para cada família e disse às crianças (3-10 anos de idade) que um jovem da Austrália tinha perdido o seu caminho e perguntou se as crianças poderiam ajudar. Todas as crianças prontamente levaram-na as mãos dos adultos e todos foram para o museu da escola onde o menino estava vestido com um traje aborígine com uma cara suja (como se estivesse perdido). O menino (fingiu que) não podia falar russo, e foi muito triste, na verdade, ele estava em lágrimas. As várias famílias foram questionadas se eles poderiam ajudar e foram, então, divididos em faixas etárias. Cada grupo (liderado por um professor) ajudaram a orientar as crianças com ideias para resolver o problema. Um grupo de crianças muito pequenas feitas presentes para o menino para levar para casa, enquanto um grupo mais velho escreveu um telegrama aos seus pais na Austrália (inclinando-se sobre as diferenças entre escrever cartas e telegramas, bem como a aprendizagem da gramática russa). Outro grupo descobriu que a Austrália foi localizado e até onde ela estava de Moscou, desenhando mapas e usar habilidades matemáticas. Outro grupo trabalhou em descobrir sobre os animais na Austrália, que incorporou exercícios de matemática também. Então foi anunciado que o garoto seria capaz de voar para casa para a Austrália, para sua família, mas em primeiro lugar, haveria um acontecimento (encontro) (que acontece uma ou duas vezes por mês, com as crianças e os pais se preparam para isso com semanas de antecedência). As crianças trouxeram o menino para uma sala decorada especialmente para ele, e disseram-lhe que queriam fazer uma festa e compartilhar a cultura russa com ele. Eles queriam que ele fosse capaz de compartilhar suas aventuras na Rússia, com outras crianças na Austrália. As crianças estavam agora em grupos etários mistos, e novamente em uma sala especial onde eles estavam cantando canções russas em trajes, danças, e recitando poesia as crianças haviam escrito, e demais produções.  Havia mais de uma hora de entretenimento, sempre com música de piano e outros instrumentos que estava sendo tocado pela equipe. Após as festividades, um homem (Gennadi Kravtsov) veio com um carro para levar o menino para o aeroporto, e todas as crianças, pais e equipe acenou para ele da janela quando ele entrou no carro e foi embora.
Eu quase me senti como um garoto que estava realmente indo para casa para a Austrália, foi tão real. Após o acontecimento , refrigerantes foram servidos a todos. Durante a tarde, houve mais trabalho sobre a Austrália, incluindo a música, história, dança, geografia, o estudo do clima, animais, etc.
A importância da educação deste currículo não pode ser mais expandida, pois a maioria das escolas chaves douradas recebem muito pouco financiamento do governo, e estas escolas estão abertas a todas as crianças. Os métodos utilizados são inovadores e novos, e pode se tornar um modelo de educação em outras partes do mundo."

Para material de leitura, consulte o capítulo sobre as escolas chaves douradas em: Schools for growth: Radical alternatives to current educational models.Lois Holzman. Mahwah, NJ: L. Erlbaum Associates, 1997."

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Golden Key School: uma experiência de sucesso educacional

 – o presente texto escrito por Raquel Alves Cassoli foi resultado das anotações da palestra proferida por Guennady Kravtsov[1]   em russo com tradução simultânea feita por seu filho, Oleg Karvtsov, para o inglês. 20/10/2012 no Centro Cultural Hiroshima promovido pelo Instituto de Psicologia Aplicada Lev Vygotsky Brasil. O objetivo destas anotações é refletir sobre efetividade da Teoria Histórico Cultural para a organização do ensino infantil.



        Guennady relata que há 40 anos estuda a Teoria Histórico Cultural de Vigotski e há 20 anos criaram o programa escolar Golden Key – cujo principal propósito foi desenvolver um programa educacional escolar visando o desenvolvimento total da criança. A base é a teoria Histórico cultural de Vigotski.
         A teoria de Vygotsky é primordial para compreender o desenvolvimento. Falar sobre desenvolvimento nesta abordagem é difícil. Mas vou tentar explicar. A teoria de desenvolvimento  é uma teoria de auto-desenvolvimento, é uma dinâmica e um processo interno, o que dificulta a exploração de forma tradicional, pois não é algo que pode ser medido.
         A teoria Histórico Cultural é uma nova metodologia criada por Vigotski que não se enquadra nas chamadas teorias clássicas (ou tradicionais) na Psicologia, é uma teoria do futuro. Vigotski mantinha um diário, no qual deixou registrado que priorizava uma psicologia libertária e que para isso é importante compreender como o homem se desenvolve.
         Para Marx o ser humano é social (encontramos isso nos textos de Luria em “Desenvolvimento Cognitivo” e Vigotski em “O Estudo da história do comportamento”)[2] e a base teórica é construída a partir de Marx. Vigotski vai considerar o desenvolvimento do corpo e da consciência. A consciência não é vista da forma como a psicologia tem tratado, pois a ação é um processo controlado pela consciência e o desenvolvimento é um processo de transformação da consciência. A consciência social é a primeira posição sobre a consciência individual, mas ao mesmo tempo a consciência social é a consciência individual. O desenvolvimento das crianças se dá pela comunicação. Assim criar condições para a comunicação é bom para o desenvolvimento infantil.

(foto da Golden Key School extraída da pagina: http://faculty.ucmo.edu/drobbins/html/golden_key_schools.html )

O programa da Golden Key é organizado da seguinte maneira:
1)      Grupo de idades diferentes entre as crianças. O normal costuma serem crianças da mesma idade, pois estado todas as crianças na mesma idade é mais fácil para o adulto educador, mas não para a criança. No desenvolvimento da criança isso não é o ideal. Uma família tradicional antigamente possuíam muitas crianças de idades diferentes, em cerca de 6 ou 7 filhos, todos envolvidos na educação, na vida comum, havia uma diversidade nos diálogos e nas brincadeiras. E hoje, as famílias têm em sua maioria apenas um filho e falta para a criança essa diversidade na comunicação. Existe uma forma de fazer isso e a escola pode superar essa falta de diálogos diversos na vida da criança.
2)      A família. A família é muito importante, pois é a família quem dá o principal para o desenvolvimento da criança que é a comunicação. É a família quem protege e quem dá afeto. A criança sente se amada, e esse amor é incondicional, pelos pais e dá segurança a ela, para que se desenvolvam. As famílias, hoje, por seu arranjo de um filho único e pelas atribuições do dia-a-dia não conseguem dar a totalidade da comunicação á criança, por isso a escola precisa ser uma forma de a criança encontrar outras crianças com idades diferentes. É preciso criar um jardim da infância, uma pré escola como se fosse uma família, como se fosse a convivência dessa família. A relação dos adultos deve ser como a de uma família, todos devem estar envolvidos com os cuidados dessas crianças: pedagogos, psicólogos, cozinheiro e os pais, que são muito importantes e devem participar ativamente na escola. Os professores ensinam primeiro os pais e depois as crianças.
3)      Evento. É a organização da vida neste jardim da infância. O evento tem 2 significados: 1 – algo que aconteceu e que é expresso de alguma maneira e 2- a coexistência tem o mesmo significado. Vou explicar: as crianças não têm aulas como nas escolas normais, elas têm uma vida interessante e com significado. Há ensinamentos e outras atividades interessantes para elas. A posição dos educadores é eu se você quer ensinar  as crianças é preciso conviver com elas, é preciso estar interessado neste convívio e no que as crianças podem oferecer. O evento pode ser de dois tipos:  o primeiro tipo de evento tem uma programação; por exemplo comemorações e o segundo tipo acontecem por acidentes na vida da criança; por exemplo algo que acontece na família da criança ou na rua, e são eventos que precisam ser experimentados  e compreendidos pela criança.  Na atividade programada: as crianças saem para a rua no entorno da escola para construírem um mapa do local, e de repente uma criança pisa ou cai numa poça d’água, a criança relata isso de acordo com a compreensão da criança e todos decidem se aquilo deve constar no mapa, lembrando que são crianças com idades diferentes e dois adultos. É difícil um adulto orientar a atividade de maneira correta, pois um adulto a frente das crianças ele esta contra as crianças, ele coloca as metas do evento, controla as ações das crianças e coloca a atividade do adulto na atividade das crianças.
4)      Os adultos. Há 2 adultos interagindo com as crianças: o primeiro adulto está a frente e é quem coloca as atividades para as crianças, faz propostas do evento e o  segundo adulto está no meio ou atrás das crianças e é quem coloca as dificuldades de compreensão da tarefa que faz com as crianças queiram ajudar esse adulto “idiota” a realizar a atividade proposta pelo primeiro. Exemplo:  o professor (1º adulto) quer ensinar a saudação de “bom dia” – o adulto diz “Vocês precisam falar `Bom Dia!´” – mas para ter efeito ele começa demonstrando como fazer e o 2º adulto cria uma situação, uma cena especial para as crianças. Como se o 1º adulto fosse o pai e o 2º. Fosse o filho e sempre há uma emoção criada nesta cena e as crianças são envolvidas nesta cena. Elas devem sempre estar dentro da situação para que surta o efeito da aprendizagem.
5)      O conhecimento do desenvolvimento infantil. Normalmente quando lidamos com as teorias de desenvolvimento infantil acabamos lidando com as idades e etapas do desenvolvimento e fazemos comparações com as crianças e há 2 características que se diferenciam:
a.       A dimensão de espaços diferentes do desenvolvimento:  nós temos 4 características que centrais para estudar o desenvolvimento infantil.
    Vigotski criticava as teorias clássicas da Psicologia, Freud deu ênfase ao desenvolvimento psicossexual, a sexualidade para Freud era muito importante, mas o desenvolvimento não é só isso. Piaget enfatizou o desenvolvimento das estruturas intelectuais. Para Vigotski o intelecto está na segunda posição, não é o fator central de sua teoria, embora seja também muito importante. Sempre há um critério para o desenvolvimento. Elkonin fala de períodos de desenvolvimento do ponto de vista da atividade, se pensarmos no adolescente, qual é sua principal atividade e esta atividade é bem diferente da atividade da criança. Para Vigotski: existem 2 questões importantes, a primeira é que existem diversas características do desenvolvimento e a segunda questão se refere ao problema metodológico sobre a composição da crianças e considerar as características que ela tem. Elkonin compartilha da teria da atividade, que é muito comum na Rússia e baseando em Vigotski é a partir da vida real que a criança se desenvolve.
     A formação central do psiquismo altera toda estrutura já existente e são muitas as transformações nesta idade da criança. Exemplo: a fala. Quando a criança começa falar muda sua personalidade e sua consciência. Descobre o espaço físico e o significado das coisas a sua volta. A aquisição da fala muda toda sua função psíquica, seu andar amplia toda forma de interação com o lugar onde vive, aumentando sua capacidade de interagir. De 3 á 7 anos a criança forma sua imaginação á partir da fala e evolui seu pensamento, seus sonhos e suas fantasias. Essas funções são controladas pela vontade da criança. As funções psíquicas superiores vão se alterando conforme a vontade de interagir como meio, pois a vontade e a liberdade.
        Vigotski diferencia as funções psíquicas/nervosas  em elementares e superiores; e a principal característica dessas funções é que elas evoluem do natural para o cultural e apesar de terem essa nomenclatura não se excluem , mas compõem uma a outra. A fala tem uma natureza genética, que é aquilo que o organismo dispõe para seu desenvolvimento que só é possível diante do desenvolvimento social. A imaginação é uma estrutura mais complexa que tem um campo de sentimento e imagem. As imagens estão no espaço real e tem varias dimensões como a objetiva (materialidade) e a subjetiva como: sentido, significado e sentimento.
        Existem diferenças na imaginação entre meninos e meninas. Nos meninos a imagem é mais dimensionada, nas meninas ela é mais sentimental, talvez por isso brinquem ou joguem de maneira diferente. Os meninos preferem jogos de construção e as meninas de comunicação e isto está em pesquisa pelo grupo lá na Rússia.
        Desta forma a Golden Key School foca nas atividades planejadas e nas brincadeiras para o desenvolvimento da imaginação. As atividades são planejadas tendo em vista um produto determinado e o desenvolvimento da criança de acordo com essas características da criança
    b) A função psicológica central no desenvolvimento: a atividade líder é o que predomina no dia-a dia das crianças, no caso de crianças de 3 á 7 anos é a brincadeira e a função psicológica central é EMOÇÃO e é onde há as maiores mudanças nesta idade. Para trabalhar com crianças nesta faixa etária é necessário trabalhar com conteúdos emotivos. A emoção começa como natural na criança, o recém-nascido reage instintivamente de forma emocional e o trabalho do professor ou do adulto que lida com a criança é em cima das emoções. A emoção influencia a fala e por ela também é afetada e se transformam em sentimentos. A Emoção é uma Função nervosa/psicológica superior. Aos 7 surge uma crise nessas emoções que se desenvolvem, criam uma nova estrutura intelectual. A Emoção envolve o intelecto pela imaginação, transforma se numa função intelectual.
    Isto não foi aprofundado por Vigotski por não haver um completo entendimento das direções de transformação das funções nervosas/psicológicas superiores. Existe um problema teórico sobre o surgimento das Funções psicológicas superiores: Como a criança não fala e torna-se capaz de falar? De onde vem esta força da Função nervosa/psicológica superior?  Vigotski responde que quando podemos compreender o valor do ambiente somado ao social, temos uma explicação social do desenvolvimento e temos o foco para que as transformações aconteçam. No caso da criança que aprende a falar, toda situação social dela muda, o ambiente continua o mesmo, mas o valor social dela é modificado. O Status que a criança adquire muda a situação social que a preparava para a mudança de status.
    E por ultimo a noção de atividade principal no desenvolvimento é importante para compreender que essas atividades apenas deixam de ser frequente, mas não deixam de ser realizadas. A brincadeira não apenas não acaba na idade adulta como também auxilia no desenvolvimento na idade adulta, pois na atividade de brincar está o futuro do desenvolvimento. A criança faz o que pode, e não apenas o que consegue, ela esgota toda a potencia que existe para ela.


Daí a grande importância da brincadeira nas atividades desenvolvidas na Golden Key School e o sucesso deste programa educacional.




[1] Guennady é marido de Elena Kravtsov, que é neta de Vigotski, sendo filha de Guita Vigotskaia (Guita faleceu em 2010, e atualmente, Elena é quem cuida do material produzido pelo avô. Junto com marido e filho mantém uma escola na Rússia (Golden Key School) cujo programa de ensino é baseado na teoria Histórico Cultural)
[2] Observação da autora

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Educar sem violencia

Resenha.



O livro "Educar sem violência: criando filhos sem palmadas" da Lígia Moreiras Sena (Cientista que virou mãe) e da Andréia C. K. Mortensen (Crescer sem violência) é um daqueles livros que deveriam ter entrega gratuita nas maternidades. O livro possui 112 paginas, ondem as autoras escrevem de forma clara e objetiva sobre os efeitos da violência física e psicológica contra a criança e juntamente com conceitos da Psicologia e da Programação Neurolinguística propõe uma nova forma de se relacionar com os filhos e estabelecer vínculos saudáveis.
 "Bater em criança é aceitável? 
O que está por trás do ato de dar uma palmada?
O que isso diz sobre a criação de quem bate?
O que é ensinado as crianças quando se usa violência física contra elas?
Porque alguns pais ainda batem em seus filhos?"
Essas são algumas das perguntas que as autoras fazem  na apresentação do livro e ao responder essas e outras perguntas conduzem o leitor ao conhecimento cientifico e a reflexão sobre os valores sociais e a cultura da palmada em que vivemos.  O entendimento da origem do comportamento de birra, auxilia a lidar com as criança em momentos de crise. O capítulo sobre violência emocional e resiliência mostra como as ameaças, que muitas vezes parecem inofensivas a crianças e ponto central da manutenção da autoridade dos pais,  revela  o lado cruel do estabelecimento de um vinculo que tem suas raízes no medo. Efetivar uma educação sem palmada é desafiador, exige paciência dos pais, e muito auto controle, mas apresenta-se de forma possível com esta leitura para profissionais e leigos.

Raquel Cassoli

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

VII Jornada de Psicologia Sócio-Histórica da PUC-SP

VII Jornada de Psicologia Sócio-Histórica da PUC-SP

“A Psicologia no Contexto Latino-Americano:contribuições para uma perspectiva crítica”

Inscrições para apresentação de trabalhos até dia 08/09 pelo site: http://www.pucsp.br/pos-graduacao/vii-jornada-de-psicologia-socio-historica-da-puc-sp

Evento gratuito e de responsabilidade de seus organizadores.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

"Doente ainda tem medo de doutor"

Um dos assuntos mais frequentes em Psicologia tem sido a humanização dos serviços de saúde, esta entrevista de 2006 se mostra atual ao mostrar os desencontros na área médica. Problemas que a Psicologia pode auxiliar na solução e melhorar as relações entre profissionais e profissionais e pacientes. 


REVISTA Isto é  Entrevista 13-09-2006

Cláudio Cohen "Doente ainda tem medo de doutor"
Psiquiatra diz que o médico continua a conversar pouco com o paciente e que os profissionais mais jovens preferem a tecnologia a cuidar das pessoas

Por Cilene Pereira
O psiquiatra e psicanalista Cláudio Cohen, 52 anos, é um dos principais especialistas em bioética do País. Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, ele está acostumado a acompanhar e a pesquisar as mudanças de conceitos e verdades que, de tempos em tempos, são feitas na comunidade científica e na sociedade a partir de novas descobertas. Discussões sobre quando começa e quando termina a vida, por exemplo, fazem parte de seu dia-a-dia. Há quatro meses, no entanto, ele se debruça sobre uma questão bem mais específica, voltada para a compreensão de sua própria atividade profissional. Em conjunto com seus colegas Eduardo Massad e Linamara Battistella, também professores, Cohen coordenou uma pesquisa entre seus pares e outros profissionais de saúde para tentar compreender como eles próprios entendiam a profissão, o paciente e o ambiente no qual trabalham. Eles chegaram a conclusões surpreendentes. Algumas delas: a tecnologia hoje atrai muito mais os jovens estudantes de medicina do que a vocação em si, o doente ainda tem muito medo de falar com o médico e os profissionais não conversam entre si. “É a primeira vez que fazemos um trabalho deste gênero. Percebia que essa situação existia, mas ninguém dava muita atenção a esses problemas. Então resolvemos falar disso de outra maneira”, conta. Para obter essas conclusões, foram realizadas entrevistas em profundidade com médicos, professores e diretores de hospitais, além de discussões em grupo com recém-formados, residentes, estudantes no final do curso de medicina e outros profissionais de saúde dos níveis superior e médio. A partir dos achados, o professor espera iniciar uma ampla reflexão entre médicos, faculdades e instituições de saúde para tentar acabar com os gargalos que, no fim, prejudicam os profissionais e – o que é mais perigoso – também os pacientes.

ISTOÉ – A partir da pesquisa, ficou claro que os estudantes e médicos mais novos entram na carreira seduzidos pela tecnologia e não pela vocação?

Cláudio Cohen – Sim. Mais do que a vocação humanista, o que os atrai é a vocação tecnológica. Em geral, as pessoas estão querendo saber mais de pesquisa. E hoje os jovens médicos se interessam muito mais em fazer pesquisa científica do que em tratar pacientes.

ISTOÉ – Isso ocorre em todas as especialidades?
Cohen – Há uma contradição interessante detectada no estudo. Os médicos acham que deveria haver mais clínicos gerais, que eles teriam de manter uma relação mais humanista com o paciente. Mas notamos que, no fundo, o próprio médico acha que o clínico geral é um subproduto da medicina. Eles pensam que, se ele é clínico, é porque não era muito bom em nada. Hoje, o grande médico é

o hiperespecializado. Então, aquilo que o médico considera como o ideal da profissão na verdade ele próprio não valoriza. E nem a sociedade. As pessoas não procuram o clínico. É preciso entender que ele é um especialista na sua área e que se deve começar por ele. 


ISTOÉ – O que foi constatado sobre a relação entre médico e paciente hoje?

Cohen – O paciente tem medo de dizer as coisas. Acaba contando eventuais problemas para a enfermeira – e ela não repassa as informações ao médico.

ISTOÉ – Quem revelou isso?
Cohen – Os enfermeiros, os residentes.

ISTOÉ – Por que ela não conta ao médico o que o paciente está dizendo?

Cohen – Esse é um dos grandes problemas da medicina atual, a chamada interdisciplinaridade. Essa palavra traduz a idéia de que a saúde é a soma do trabalho de vários profissionais, e não fruto do domínio e das ações exclusivas do médico. Isso foi estabelecido pela Organização Mundial da Saúde em 1960. Até então, o conceito de saúde era a ausência de doença. Se esse era o modelo – e quem cuidava de doença era o médico –, quem cuidava da saúde era o médico. A partir de 1960, a saúde passou a ser um bem-estar biológico, psicológico e social, isto é, não apenas a ausência de doença. Com isso, o médico virou mais um dos, e não o profissional responsável pela saúde. É o relacionamento entre as disciplinas, a tal da interdisciplinaridade.

ISTOÉ – Mas não há risco de ocorrerem problemas justamente por falta de comunicação?
Cohen – Sim, mas a novidade é que hoje não são apenas os médicos que estão sendo processados. Enfermeiros e hospitais também. Está se vendo que não é só o médico o responsável.

ISTOÉ – Por que o doente tem medo de se abrir com o médico?
Cohen – Baseado na minha experiência, observo que ele ainda tem uma imagem meio mítica do médico. As pessoas o consideram uma pessoa para a qual só se deve falar as coisas importantes.

ISTOÉ – E que tipo de informação ele deixa de passar? Só problemas, complicações, queixas de dor?
Cohen – Não é só isso. Ele também tem medo de perguntar o efeito colateral do remédio ou de dizer que não gostaria de tomar um medicamento. Ainda sobrevive a relação paternalista na qual o médico sabe tudo e o doente não sabe nada. Então, as pessoas acatam tudo o que o profissional fala. A relação ideal deveria ser baseada em uma autonomia dos dois, para que eles discutam. E o médico vai tentar mostrar ao doente por que uma conduta é melhor do que a outra.

"A relação deveria ser baseada na autonomia. O paciente deve deixar de ser passivo. O que está em jogo é a saúde dele"

"O médico acha que falar com a família é mais difícil do que com o doente. Ela pergunta o que o paciente não questiona"

ISTOÉ – E que conseqüência tem isso para o paciente?
Cohen – Pode haver equívocos. O doente pode ficar com medo de ingerir o remédio, não tomá-lo ou usá-lo na dose errada. Além disso, tem medo de contar que usa terapias complementares. 

lado, pela obrigação de atender tantos pacientes, o médico não tem tanto tempo para ficar respondendo. É mais ou menos como quando vamos ao banco e queremos investir nosso dinheiro. O gerente nos diz para investir nisso ou naquilo. E não questionamos se ele não acha que outra coisa seria melhor.

ISTOÉ – Mas há uma responsabilidade do médico nisso, não? Muitos se queixam de que ele, de maneira geral, não suporta ser questionado ou mesmo discutir uma dúvida do paciente...

Cohen – Nas gerações mais jovens isso está mudando, mas entre os antigos esta postura prevalece. Por outro

ISTOÉ – O sr. acha que o paciente deve sair dessa situação passiva?
Cohen – Não acho, tenho certeza. Ele precisa sair, ser ativo como o médico. Afinal, o que está em jogo é a saúde dele. É o interesse dele próprio. E às vezes ele teme não ser mais atendido por reivindicar seus direitos.

ISTOÉ – Este é um comportamento mais comum entre os pobres, que dependem dos serviços públicos e temem perder a única chance de atendimento, ou também existe entre os mais ricos?
Cohen – É um problema cultural, independe das classes. E é um fenômeno brasileiro. Temos pouca noção dos nossos direitos e deveres. Somos um pouco submissos, inclusive como pacientes.

ISTOÉ – Outra descoberta da pesquisa foi a de que o médico prefere falar com o paciente a conversar com os familiares. Por quê?
Cohen – O médico tem dificuldade de falar com os familiares do doente. Acha que eles são mais difíceis do que o doente. A família acaba fazendo aquelas perguntas que o paciente não faz.

ISTOÉ – Então, mais uma vez, parente é serpente?
Cohen – Sim.
ISTOÉ – Mas os médicos se queixam disso?
Cohen – Dizem que preferem falar com o paciente. E que o melhor seria outro profissional lidar com a família. A psicóloga, a assistente social, dependendo do problema que possa estar associado.
ISTOÉ – Mas de novo voltamos à questão. Ele se incomoda com os familiares, mas, se o paciente se queixa, ele fica incomodado...
ISTOÉ – Mas o sr. não acha que ele tem obrigação de falar com a família?
Cohen – Sim, mas isso é um passo maior, adiante. Primeiro vamos fazê-lo falar com o doente e ensinar o paciente a aprender a decidir por si mesmo.

ISTOÉ – Os médicos sabem que perderam parte do status social?
Cohen – Os mais antigos não perderam o status. Ainda conseguem ter consultório particular, ganhar bem. Os mais jovens é que perceberão isso de forma mais intensa. Provavelmente não terão consultório particular, trabalharão para uma instituição pública ou para um seguro médico, em que a relação médico-paciente estará influenciada por um terceiro. E isso é uma perda de status. Sua autonomia vai para o espaço.
ISTOÉ – E que prejuízo essa perda de autonomia traz para o paciente?
Cohen – Quando ele precisa trabalhar em três, quatro empregos, ele já perdeu autonomia. Já está a serviço dos empregos. E isso vai se refletir na qualidade do atendimento. As vítimas serão o paciente e ele próprio. Mas o profissional ainda não percebeu que também está perdendo. Se tem de trabalhar dessa forma, provavelmente atende muito mais pacientes do que poderia, provavelmente não se atualiza o quanto deveria. Porém, ele ainda acha que é um problema da sociedade e que ela o resolverá. Mas o médico é que terá de dar um basta nisso.

ISTOÉ – O sr. acha que os médicos não perceberam que cabe a eles iniciar essa mudança?
Cohen – Cabe a eles também se responsabilizar por isso. A sociedade os culpa pelo mau atendimento. Eles podem até ter parte nisso porque acabam aceitando, porém é o Estado que paga mal, não dá estrutura de trabalho. Há outras responsabilidades. A questão é começar a dividi-las. Estamos olhando para os médicos e dizendo: vocês têm de repensar sua vida.

ISTOÉ – Eles têm de discutir essa situação?
Cohen – Sim. Realizar uma reflexão em conjunto. Como não têm tempo de atender o paciente, eles pedem mais exames para ter mais segurança. Isso quebra muito a relação com o doente. Outra coisa: eles sabem que a alocação de recursos para a saúde é muito malfeita. Mas não se questionam sobre essas questões.
ISTOÉ – Eles também são passivos?
Cohen – Eles ainda não perceberam a mudança social da função do médico. E também não se imaginam fazendo outra coisa. Isso talvez os assuste e os impeça de exigir mais. Se eu perder isso, o que vou fazer?, podem indagar. Não entendem que essas questões deveriam ser discutidas e revistas com abordagens éticas, com posturas, trocas de valores. No trabalho que fizemos, os médicos disseram gostar da profissão, mas percebemos que entre o gostar e a realidade não há coerência. Basta olhar quantas horas eles trabalham, quantos empregos têm. Se gostassem da profissão como dizem, não a estariam exercendo tão mal.

ISTOÉ – O que esperar do médico no futuro? Ele será mais voltado para a máquina do que para o homem?


Cohen – Sim, mas o médico tem de aprender a lidar com essa questão.


ISTOÉ – O sr. fala de um modelo implantado na melhor faculdade de medicina do País. Mas e no resto?
Cohen - Fico angustiado com tudo isso. Afinal, sou um velho médico. Entrei por uma questão humanista. Considerava este trabalho uma vocação. Acho que, para ajudar a resgatar a missão do médico e lembrá-lo da finalidade básica da medicina, o da assistência ao doente, é preciso haver mais discussão sobre o assunto. Foi o que fizemos aqui na faculdade. Temos disciplinas com conteúdo humanista, psicologia médica, o médico como cidadão, por exemplo.
Cohen – Vamos discutir com todos e trocar idéias sobre esse tema.


Para saber mais:
DE MARCO. M. A (orgs) A face humana da medicina. Casa do Psicologo; São Paulo, 2003.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Em que área atua o Psicologo?

Neste Post pretendo abordar um pouco sobre a area de atuação do Psicologo. Quando escrevi sobre a clinica, a atenção não é aleatória, nos estudo feitos pelo CRP e CREPOP apontam que a maioria dos formandos seguem a clinica particular. Este texto é resumo de um capitulo em que mostra a  á inserção do psicólogo no mercado de trabalho, nos setores de atuação, atividade e condições de trabalho.
O setor público e o privado apresentam-se como potenciais para  inserção no mercado de trabalho.
No inicio do sec. 21 alguns movimentos merecem atenção:  crise e a falência do Estado deixou lacunas na saúde, educação e segurança que passaram a depender da iniciativa privada para se desenvolver. A concentração de capitais e a globalização que fortaleceram o serviço privado e o surgimento e o fortalecimento do terceiro setor, que passa atender a demanda que antes era do serviço público, mudam a atuação profissional do Psicólogo no país.

1º.setor - PUBLICO:  deve atender as necessidades da população com políticas públicas, agentes públicos que agem para o público.
Serviço pode ser próprio quando visa atender as demandas da sociedade de maneira coletiva.
Serviço pode ser  impróprio quando atende os interesses da coletividade, o Estado não assume a responsabilidade, mas delega ao setor privado, o fiscaliza e controla.
Emprega atualmente: 24,4% dos psicólogos

2º. Setor – PRIVADO:  representa a lógica de mercado e defende os interesses privados. É o maior setor nos países capitalistas. Visam lucro. Com a globalização e a competitividade, as empresas apresentam os mais diversos tipos de gestão e o trabalhador muitas vezes é obrigado a abrir mão de seus direitos trabalhistas para ser inserido no mercado de trabalho. Aos poucos a informalidade no Brasil supera o emprego formal.
Emprega atualmente: 40,3% dos psicólogos

3º.setor – espaço institucional de caráter privado e que atende demandas públicas, não visam lucro, possuem alto grau de autonomia interna e envolvem um nível significativo de participação voluntaria.  São ONG (organização não governamental), OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), Fundações, associações civis, entidades assistenciais e filantrópicas, organização de voluntários, cooperativas, etc.
Emprega atualmente:  35,3% dos psicólogos

Na saúde, há ainda uma grande distancia entre o discurso e a pratica, pois não há investimento publico adequado ao atendimento psicológico, a população continua carente neste tipo de atendimento. E neste ponto, as organizações que oferecem atendimento conveniado ainda o fazem de maneira restrita.
Temos uma inserção profissional diversificada.

Apenas 17, 6 % dos psicólogos ocupam apenas uma inserção de trabalho e atuam como autônomos.
 52,7% dos psicólogos possuem mais de uma inserção no mercado de trabalho, isso pode significar que: é preciso trabalhar em mais de um lugar para garantir sua sobrevivência (salários baixos); que as condições de trabalho são frágeis; e que o trabalho autônomo, principalmente na clinica, está relacionado à identidade profissional. Mesmo tendo um trabalho assalariado que garanta uma sobrevivência satisfatória, muitos atuam como clínicos porque lhes confere uma identidade profissional.
Sobre a quantidade de inserções do Psicólogo:

No terceiro setor, há uma baixa quantidade de pessoas com apenas uma inserção, pois o vinculo é voluntário. Trabalhar sem remuneração é uma forma de o psicólogo adquirir uma maior experiência, que será um diferencial na obtenção de um emprego remunerado.

PERFIL DE QUEM ATUA.
81% mulheres   /  idade: 35 anos  / tempo médio de 10 anos de formação.
Média de 40% graduados, 35% com especialização, 14% com mestrado e 5% com doutorado ( No terceiro setor a média de graduados é maior e no setor privado há uma média maior de pessoas com mestrado 21%).  Isto sugere que no terceiro setor há pouca exigência com pós- graduação. Já nos setores públicos e privados, que há contratação de docentes para o curso de psicologia há uma exigência maior de profissionais que tenham feito pós-graduação.
Formas de ingresso:
1º. Setor:


2º. Setor:

3º. Setor:


Quanto a Natureza do vínculo:
No setor publico: 59,8% são estatuários e 26,5% regime de CLT.
No setor privado predomina a contratação de autônomos/ consultores (32,7%) em seguida o vinculo celetista. (CLT )(24,2%)  à no setor privado 27,5% são contratados como docentes, bem acima dos 14,5% de docentes que são contratados no setor público.
80% dos psicólogos são graduados no ensino superior privado.

CONDIÇÕES DE TRABALHO:
1º setor:  23,6% até 20hs de trabalho semanais
30,7% até 30 hs de trabalho semanais
34,7% até 40 hs de trabalho semanais
8,2% dedicação exclusiva.
Média salarial de 2.800,00 reais (psicólogos que atuam na saúde pública tem salários mais baixos)

2º. Setor: 45,6% até 20hs de trabalho semanais
17,17% até 30 hs de trabalho semanais
37,37% até 40 hs de trabalho semanais
Média salarial de 3.100,00 reais.

3º. Setor: 72,7% até 20hs de trabalho semanais
9,9% até 30 hs de trabalho semanais.
17,4% até 40 hs de trabalho semanais
Média Salarial de 2.400,00 (lembrando que boa parte são voluntários)
No geral os Psicólogos se manifestam bastante contentes com o trabalho e vislumbram oportunidades de crescimento, principalmente no setor privado e 3º. Setor.

Estas informações mostram que a vida profissional, embora muito valorizada ultimamente, na area de RH, ainda precisa superar obstaculos.


Para saber mais:
 MACEDO, Kátia Barbosa; HELOANI, Roberto; CASSIOLATO, Rosangela.  O Psicólogo como trabalhador assalariado: setores  de inserção, locais e atividades e condições de trabalho. IN:  BASTOS, A.V.G.  e GONDIM,  S.M. G. O trabalho do Psicólogo no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2010.



terça-feira, 1 de abril de 2014

O que acontece depois que acaba o curso de Psicologia? p.2

Parte 2 e final.
Na postagem anterior falei sobre os caminhos para a prática clinica, mas a atividade do psicólogo, embora esteja muito ligada a área clinica não se resume a isto. No mercado de trabalho a forma mais “tradicional” de busca de uma colocação acontece com a entrega de currículo vitae nas empresas, provas para concursos públicos e se candidatar ás vagas existentes no mercado.  Quando o profissional deseja construir sua profissão de forma autônoma, ele pode fazê-la nas diversas áreas de atuação da psicologia, na forma de consultoria e trabalhar com projetos, seja com uma empresa privada, própria ou para o 3º setor.  E aí vem a pergunta importante: “ Como fazer isso?”
Vamos dar uma situação hipotética de um contato com um diretor de escola particular, ele diga que gostaria de ter um psicólogo que trabalhasse algumas questões dentro da escola.  Estou dando um exemplo de diretor escolar, mas pode ser o profissional de qualquer outra instituição, pode ser o dono de um escritório de contabilidade que não consegue contratar funcionários certos para as vagas de seu escritório e deseja alguém que consiga redefinir o plano de carreira e traçar perfis adequados aos cargos de seu escritório. OU ainda uma ONG que tem um trabalho em uma comunidade carente e necessita de um trabalho do psicólogo. O Psicologo pode marcar uma reunião formal com este diretor para o levantamento das necessidades da escola, é necessário fazer uma caracterização desta escola e refletir previamente sobre o que deseja este diretor. Vamos supor que os alunos estejam reclamando do conflitos existentes entre eles e que queiram da direção uma solução contra o bullying, por exemplo, temos aí uma demanda para a Psicologia intervir. 
Preciso fazer anotações sobre este encontro?” Sim,  é recomendável que faça anotações sobre este encontro, como um relatório, para que este auxilie no momento de escrita do projeto. Anote ideias que surgirem durante o encontro, autores e estabeleça um prazo para retornar a escola e apresentar uma proposta de trabalho.
O Psicologo com os dados em mãos deve escrever um projeto com capa, uma justificativa para a realização daquele trabalho, com bibliografia, descrição da intervenção, cronograma de trabalho descrevendo as atividades, materiais a serem usados, contrato e preço. A escola pode oferecer um contrato redigido por ela. E desta relação também pode surgir um emprego como psicólogo escolar.
Posso ter um projeto padrão para levar nas escolas que quero trabalhar?” Você pode oferecer um serviço padronizado à várias escolas (empresas ou ONGs) e as instituições podem querer ou não o seu serviço. Mas quando você é solicitado por alguém, seja uma empresa para consultoria de RH ou uma escola, deve primeiramente caracterizar a demanda, ou seja, ouvir o que eles desejam para depois oferecer uma solução.
Qual é o modelo deste projeto?” Geralmente é o mesmo modelo que ensinamos os alunos nas aulas de estágios profissionalizantes. Mais uma vez, os relatórios e o projeto realizado durante os estágios não são mera produção burocrática, eles nos auxiliam na prática profissional.
Lembrando, mais uma vez que o profissional autônomo emite recibos e que estes recibos devem ser declarados no Imposto de Renda, a empresa ou escola pode fornecer uma declaração de pagamento e qualquer que seja o caso o profissional e a empresa devem ser coerentes.
Caso o psicologo tenha interesse em abrir uma empresa de assessoria ou consultoria deve consultar um Contador para estar em dia com os tributos.  Uma outra opção é montar ou fazer parte de uma cooperativa.


Na próxima semana vou falar sobre como está a inserção do Psicologo no mercado de trabalho.


Raquel Alves Cassoli
Psicologa, Mestre e Doutoranda em Educação.